sábado, março 5

 

Por que Sócrates escolheu Freitas?


1. Tenho uma vaga ideia de que a política externa portuguesa é, no essencial, definida no âmbito da NATO e da UE. A nomeação de Freitas do Amaral não irá, por isso, quebrar o sossego no Palácio das Necessidades. Tal como as coisas parecem passar-se, haverá provavelmente uns 30 diplomatas que poderiam cumprir, sem sobressaltos, a função. Por que então Sócrates escolheu Freitas para ministro dos Negócios Estrangeiros?

2. À primeira vista, Freitas do Amaral poderia ser um bom ministro da Reforma Administrativa. Conhece a matéria e, se tivesse o apoio do primeiro-ministro, poderia dar uma volta à Administração Pública. Mas essa tarefa pode desgastar politicamente quem se disponha a cumpri-la cabalmente.

3. Ser ministro dos Negócios Estrangeiros, pelo contrário, parece ser uma coisa aliciante. O titular do cargo não se expõe demasiado – e costuma aparecer nas sondagens como um dos ministros mais populares. Significa isto que, se tudo correr como é habitual, Freitas do Amaral será, dentro de alguns meses, um dos membros do Governo com uma imagem (mais) positiva. Para alguma emergência de última hora, Sócrates fica com um candidato presidencial de reserva. No bolso.

4. Por outro lado, a escolha de Freitas pode ter sido uma forma de travar as ambições de Jaime Gama, que é tradicionalmente o dono, no PS, dos «Negócios Estrangeiros». Sócrates deu a Gama o Ministério da Defesa (Luís Amado), mas retirou-lhe o Palácio das Necessidades. Tendo em conta a diminuta equipa que o apoia, Jaime Gama indicaria José Lello ou Miranda Calha para a pasta que coube a Freitas do Amaral?

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