terça-feira, março 1

 

Histórias trágico-marítimas [2]



Jim Carey, «o Melga,
Mentiroso Compulsivo»


Aos poucos, eles vão reagindo – ainda ligeiramente atordoados. E o que é que está agora a dar? A «vaga de fundo» é – ao menos na blogosfera – o liberalismo. Logo, o assessor-de-Paulo-Portas-com-o-pelouro-da-blogosfera define o objectivo: agora o CDS – «o único que se assume de Direita (sim, é certo, acrescentando-lhe o centro, mas isso tem explicações históricas e actuais que sabemos quais são e que aqui não vou enunciar)» – está com «ganas» de «travar» um «combate» para «que Portugal possa ser um país realmente civilizado e desenvolvido. Liberal, no melhor sentido da palavra

Numa palavra, o CDS, desembaraçando-se de novo da «democracia-cristã», vai devolver-nos a «liberdade que Portugal ainda não tem». E como o vai conseguir? A ex-redacção d’ O Independente propõe-se «travar» «combates», «em primeiro lugar, na comunicação social, nas universidades, nos mestrados e doutoramentos, nos institutos, nas escolas e na sociedade civil em geral», mas igualmente no Parlamento, onde o assessor de Paulo Portas só vê «um partido que pode ter ganas de o travar

Até agora, o jogo foi a feijões, como se sabe. Doravante é que é. O futuro apresenta-se radioso: «o CDS tem uma oportunidade única para crescer nos próximos quatro anos, sobretudo se o PSD insistir, como parece que vai insistir, no erro de guinar à esquerda, retomando o caminho original da social-democracia que hoje em nada se distingue do "socialismo" (entre aspas) proposto pelo Eng. José Sócrates

Acresce que, «como todos nós já sabemos de outras histórias passadas, o PS não terá a coragem necessária para levar até ao fim todas as reformas indispensáveis – incluindo uma profunda reforma da Administração Pública e a revisão do código laboral, entre outras.» Mas a pedra de toque – a mãe de todas as reformas – será «a revisão constitucional, nomeadamente no que diz respeito à parte económica e social, que permita que o texto fundamental deixe de ser, em si mesmo, um programa político de sinal obrigatório.» É evidente que, sem ir aos fagotes do preâmbulo, a iniciativa privada sente-se constrangida. Os doze magníficos deputados do CDS prometem resolver a coisa.

E se alguém se atravessar no caminho? O assessor de Paulo Portas, evidenciando um pensamento estruturado, dá-nos a receita: chama-se «a atenção da opinião pública sempre que as empresas e os empresários sejam postos em causa, sempre que a iniciativa privada seja impedida de criar mais empregos, sempre que postos de trabalho e investimento externo sejam evitados pelas políticas socialistas.»

Nem seria de esperar outra coisa, sabendo-se que o «CDS tem todas as condições para ser o único partido com assento parlamentar que defende intransigentemente a iniciativa privada, as empresas e os empresários». Nunca ninguém duvidou do amor, ainda que incompreendido, do CDS pelos empresários. Parece no entanto um pouco exagerado concluir que o «CDS tem todas as condições para ser o único partido», a menos que Paulo Portas se prepare para ser ele próprio a definir a estratégia dos restantes partidos.

E qual é a táctica para libertar Portugal do jugo do «"socialismo" (entre aspas) proposto pelo Eng. José Sócrates»? Ei-la: «depois de ter sido o partido formiguinha, que conseguiu voltar ao governo em aliança eleitoral, o CDS pode e deve tornar-se no partido melga», «o partido melga do socialismo político e constitucional que impede que Portugal possa ser um país realmente civilizado e desenvolvido.» A redacção não está famosa, mas não é líquido que o assessor de Paulo Portas tenha reservado o último parágrafo para uma autocrítica. Assim sendo, tanto quanto se supõe, não é o «partido melga» «que impede que Portugal possa ser um país realmente civilizado e desenvolvido», mas o «socialismo político e constitucional», ou seja, «"socialismo" (entre aspas) proposto pelo Eng. José Sócrates».

Estamos entendidos, caro leitor? Fique em todo o caso a saber que eles andem aí, não é, ó melga?

Comments:
Acho uma piada a esses "pregadores de regimes", "paladinos da democracia" e quejandos que nem sequer tomates têm para porem à porta uma caixa de comentários!
Deviam passar mais tempo n'A Praia.
Ao menos estavam bem acompanhados.
 
Deix'ós poisar ó pulga.
 
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