segunda-feira, março 21

 

Acerca dos pregadores de moral


Luís Salgado de Matos é um homem de muitos ofícios. Ele é assessor, ao que se julga político, do Presidente da República – e assessor em regime profissional, isto é, remunerado, com subsídios de férias e de Natal, etc., etc.. Ele é também investigador do Instituto de Ciências Sociais e é, além disso, professor da Universidade Católica. Ele é ainda cronista de temas políticos do Público e da Rádio Renascença – cronista regular, naturalmente remunerado.

O que é intrigante é saber se há coincidência entre as análises políticas que elabora para Sua Excelência o Presidente da República e as outras que faz para o comum dos mortais, aqueles que são leitores do Público e aqueles outros (ou os mesmos) ouvintes da Rádio Renascença. E das duas, uma: ou as opiniões que iluminam o Senhor Presidente da República e aquelas outras que nos iluminam a nós, leitores e ouvintes, são coincidentes, e o Orçamento do Estado poderia então poupar aos contribuintes os salários e subsídios que lhe são pagos pela Presidência da República, ou não são coincidentes, e confrontamo-nos com o paradoxo de não ouvir as opiniões que pagamos e de apenas podermos ouvir (ou ler) as que não pagamos.

A moral da história é que, em boa ética republicana – de que o assessor/ investigador/ professor/ cronista parece ser um devoto apóstolo –, Luís Salgado de Matos, por ser assessor de assuntos políticos do Presidente da República, e de ser regularmente remunerado por isso, deveria coibir-se de ganhar dinheiro expendendo as suas opiniões políticas igualmente remuneradas em órgãos da comunicação social. Sobretudo quando as suas opiniões se limitam a «explicar» por que é do nosso interesse colaborarmos na redução das remunerações e dos direitos sociais. Ou dito de outra forma: ou há moralidade ou…

Comments:
De facto, porque será que os que defendem a redução de salários e regalias dos trabalhadores são sempre os que auferem mais altas remunerações e benesses ? Porque será que nunca ouvi a mesma ideia ser defendida pelos que menos auferem ? Que falta de pudor...
X
 
Eu só queria ver a declaração de rendimentos (IRS) deste pregador
 
Excelente post, oh pulga!!!

Salgado Matos é também um homem pouco inteligente ou que, pelo menos, usa a inteligência com discrição, sempre de acordo com a sua conveniência pessoal.

O facto de Jorge Sampaio o escolher como assessor é só mais um dos muitos facto que testemunham contra Sampaio.
 
Estas gajos não têm vergonha nenhuma na cara !
 
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