segunda-feira, fevereiro 14

 

Primeiras páginas do século passado [16]


Voltemos ao dia 29 de Abril de 2000. É verdade que o dia fica marcado pela entrevista de Santana Lopes, na qual faz um ultimato ao PPD/PSD: ou o seu partido muda de vida ou ele muda de partido.

Mas a visita do Papa a Fátima está a deixar o poder político extasiado. O Presidente da República e o Primeiro-ministro vão assistir à cerimónia de beatificação dos pastorinhos que decorre em Fátima a 13 de Maio. Jorge Sampaio e António Guterres já responderam ao convite que lhes foi dirigido pelo bispo de Leiria e confirmaram que estarão presentes na cerimónia que trará a Portugal João Paulo II. O Governo também se fará representar: Jaime Gama e Jorge Coelho não só vão estar presentes na recepção ao Papa, no dia 12, no aeroporto do Figo Maduro, como assistirão, no dia seguinte, à beatificação. Como se vê, Cavaco Silva não tinha motivos para andar a gritar pelo país fora que era católico, acusando Jorge Sampaio de ser ateu.

Foi também o dia em que, inesperadamente, o secretário-geral da UGT falou aos trabalhadores – pela comunicação social. Disse João Proença: «A actuação do Governo merece muitas dúvidas e preocupações à UGT» e o Executivo de Guterres «tem de inflectir rapidamente a sua política» laboral. Para o líder da UGT, o Governo persiste em referenciais de inflação irrealistas para diminuir as expectativas de aumentos salariais, fixa aumentos insuficientes na Função Pública e os ministros não têm disponibilidade para discutir o problema dos trabalhadores. «Estou preocupado com o Governo de Portugal e acho que tem de fazer diferente.» Disse, está dito e pronto: foi logo a seguir eleito para um novo mandato à frente da UGT. E como entretanto se remeteu ao silêncio, presume-se que tenha sido encontrada uma solução para «o problema dos trabalhadores».

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