segunda-feira, fevereiro 28

 

O voto é uma coisa séria


«Em meados de 1977, o Presidente Ramalho Eanes já estava muito indisposto contra os partidos políticos portugueses – um porque não governava bem, outros porque não sabiam fazer oposição construtiva, todos porque prometiam o impossível e discordavam de tudo, mesmo do que obviamente fariam se estivessem no Governo.
Em longa conversa a sós, no Palácio de Belém, depois de tantos desabafos, perguntou-me:
– O Sr. Professor não conhece nenhuma forma de democracia sem partidos?
De imediato respondi:
– Conheço, sim, Sr. Presidente. Conheço até duas: a «democracia popular», como existe na Europa do Leste, e a «democracia orgânica», concebida e posta em prática pelo doutor Salazar.
Ramalho Eanes, desapontado e com um meio-sorriso, comentou:
– Pois é. Toda a gente me diz que não pode haver democracia sem partidos. É pena


[Freitas do Amaral, Ao Correr da Pena – Pequenas Histórias da Minha Vida, Bertrand, Lisboa, 2003, p. 113]

Comments:
Brinquem brinquem...Qualquer dia ainda temos alguém nas suas memórias a falar do Freitas como "ó Sr. Presidente, pois então conte-me coisas..."
É só um pulinho de...pulga.
 
Caro Afonso I,

O que o post procura pôr em relevo não é Freitas do Amaral, mas a preparação do Mr. Chance para o cargo que exerceu durante 10 anos.
 
O comentário anterior foi escrito por mim.

pulga
 
Como foi possível este mentecapto ter sido presidente durante 10 anos?
 
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