sexta-feira, fevereiro 25

 

As autarquias e o milagre da multiplicação dos pães


O Zé, que tinha o hábito de cochichar ao ouvido de Durão Barroso, anda inconsolável. A maioria absoluta de Sócrates pode não implicar uma travessia do deserto para as luminárias «social-democratas» ou para os «adesivos», mas representa seguramente um rude golpe para o arranjinho de ocasião ou para a estabilidade da família do Zé.

O «poder local» é a porta de emergência para a debandada que se avizinha. As câmaras municipais e as juntas de freguesia constituem, em muitos sítios, o principal empregador: directo e indirecto. A somar aos postos de trabalho nas autarquias, assiste-se a um verdadeiro milagre da multiplicação dos pães. Brotam todos os dias das pedras serviços municipalizados, empresas municipais, fundações e outras formas de associação «empresarial» cujo limite é o da imaginação do Zé. E o tráfico de influências, à mesa da casa de alterne, não apresenta uma conotação negativa.

Não admira, por isso, que os dois candidatos anunciados à chefia do PSD tenham mostrado tanta preocupação com as eleições autárquicas de Outubro. Um desaire expressivo pode levar o Zé a perder a cabeça. E, sabendo-se que o Zé constitui a base social de apoio do PPD, pode pôr em causa os dirigentes que o PSD inventa para o manter enquadrado.

Comments:
Fingerprints, ou pendor suicidário?
 
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