sexta-feira, fevereiro 18

 

Administração Pública: «Eu nem sou de cá…»


Um
director-geral da Administração Pública reúne-se com um sindicato e revela o que lhe vai na alma: «Isto está um caos!». O senhor em causa é o director-geral da denominada Direcção-Geral de Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros e descobriu subitamente que há «bloqueios inexplicáveis», «sistemas desligados ao fim-de-semana», «falta de formação dos funcionários», sabe-se lá mais o quê… Parece um desabafo de um dos milhares de contribuintes que tem um reembolso parado nos labirintos do sistema informático do fisco – mas a verdade é que não é.

O director-geral em causa exerce funções há cerca de três anos, foi levado para o ministério das Finanças pelo Governo Barroso/Portas e, tal como o director-geral dos Impostos, aufere milhares de contos por mês (o mesmo que receberia no Banco Espírito Santo, a cujos quadros pertence). O PS deve reflectir sobre este exemplo se quer efectivamente modernizar a Administração Pública.

Mas há um outro aspecto que servirá de pedra de toque para avaliar as intenções do PS relativamente à «reforma do Estado»: não chega despedir os incompetentes; é indispensável, até por razões pedagógicas, avaliar previamente o seu desempenho. E, para isso, importa promover uma auditoria ao desempenho da equipa do BES que dirige a Informática Tributária – o que pressupõe que sejam igualmente analisadas as aquisições de equipamentos informáticos, na (tripla) perspectiva da «economicidade», da eficiência e da eficácia. Estando em causa o dinheiro dos contribuintes, o PS não pode assumir que «o que lá vai, lá vai…»

Comments:
" Eu não sou de cá!

A notícia de hoje no Jornal de Negócios [link] acerca do caos nos sistemas informáticos do Ministério das Finanças é confrangedora. Baseada na acta da reunião do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos com o Director-Geral da DGITA (Direcção-Geral de Informática e de Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros) no passado dia 2 de Fevereiro 2005 esta notícia revela uma posição, no mínimo, questionável. A ser verdade, a posição do Director-Geral da DGITA demarcando-se da situação actual, permite que se coloquem as seguintes questões:

* Não exerce, há mais de dois anos, estas funções?

* Onde está a aplicação das medidas eficientes conducentes à alteração desta situação e que se esperavam de um técnico de reconhecida competência no sector bancário?

* Quantos dirigentes foram reconduzidos na sua função, apesar da unanimidade acerca da sua (in)competência?

Infelizmente enviar as culpas para o sistema, essa figura esotérica culpada de tudo, mas sem rosto, é um (mau) hábito.

Aprendi, há muito tempo, que o emparcelamento agrícola dificulta a obtenção de economias de escala. No entanto, aquilo que constatamos nos sistemas informáticos da DGITA é o acréscimo do emparcelamento informático associado a cada aplicação ou sub-sistema. Não estará aqui “uma” das causas deste caos?

O corpo técnico terá, também, responsabilidade na matéria. Mas, já se avaliou qual o impacto do crescente e intensivo recurso ao out-sourcing, atribuindo aos técnicos internos funções de controlo em áreas que não dominam?

Não gosto de ver a instituição em que trabalho ser desprestigiada no domínio público, mas fico muito irritado quando o(s) dirigente(s) se descartam da sua responsabilidade. "
in http://incoactivo.blogspot.com
 
Isto é uma pouca vergonha !
 
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