domingo, janeiro 30

 

A grande conquista do 25 de Abril


«Eu tenho realmente um corpo salazarista, fui educado dentro do salazarismo. A minha sensualidade é espartana, muito austera. O republicanismo dos meus pais, o catolicismo dos Maristas também marcaram isso. Um dia estávamos a ensaiar, a Glicínia [Quartin] veio para o balcão e os rapazes estavam a fazer uma dança qualquer no palco. E ela diz-me: “Estes corpos não podiam existir quando eras novo”. Ou seja, a sensualidade viva, vital era uma coisa que não podia existir. E ela dizia muito assim: “Isto é que foi a grande conquista do 25 de Abril, estes corpos estão livres, não são corpos salazaristas”. E é verdade. O meu corpo não é um corpo livre. Nasci em 1948, no apogeu do Estado Novo e da educação muitíssimo puritana. Nunca consegui ultrapassar esse puritanismo.»

[Jorge Silva Melo entrevistado no DNA de 27 de Agosto de 2004]

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