quinta-feira, dezembro 16

 

Sabia que a reforma da Administração Pública aí?


Recapitulemos. Manuela Ferreira Leite foi à procura de receitas extraordinárias para cobrir o deficit: em 2002, inventou um perdão fiscal dissimulado; em 2003, vendeu os créditos fiscais e da segurança social ao Citigroup (numa operação cujos contornos e execução continuam por explicar). Estas intervenções não deixaram lastro – positivo. Bagão segue outro caminho: aliena património do Estado, com o que, por um lado, obtém receitas para atenuar o deficit e, por outro, reformula a gestão do património do Estado.

Seria mais doloroso começar pelos «recursos humanos». Opta-se por começar pelos recursos materiais. O Estado cede a sua posição: em lugar de ser proprietário, transforma-se em inquilino. Os Serviços passam a relevar na sua contabilidade os custos de instalação. A «gestão empresarial» entra pela porta dos curros: impõe-se de imediato uma optimização dos espaços, que porá em evidência a necessidade de igualmente optimizar os «recursos humanos». [Foi o que a banca fez após as privatizações.] O Estado abandona a parte nobre da cidade – e, de caminho, expele «uns tantos parasitas» para o quadro de excedentes.

O atento presidente da Lusomundo, então já na posse de uns números entregues por mão amiga, explicará aos gentios as vantagens para o país das medidas instituídas. Os negócios da indústria farmacêutica, que cada vez mais se confundem com os das farmácias, continuarão intocados. Em nome da Saúde. A esquerda moderna, consternada, compreenderá a inevitabilidade da situação.

Pois é, anda tudo entretido com a conversa em família de Bagão… Eppur si muove!

[Post publicado no
Pula Pula (I Série) em 15 de Setembro]

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