quinta-feira, dezembro 30

 

O populismo de Cavaco


Há anos que
ASL procura explicar aos indígenas que, em matéria de populismo, os que apontam o dedo a Santana anda(ra)m distraídos relativamente a Cavaco. Hoje, JPP – presumo que pela primeira vez – refere-se ao populismo de Cavaco Silva:

O artigo de JPP, no Público de hoje, é interessante. Mas a grande novidade é esta confissão (com atenuantes…) sobre Cavaco Silva.

Comments:
Eu li "tentação", não "cedência"!
 
É um momento histórico com inscrição garantida em qualquer biografia de JPP.
 
E quem é "ppp"?
 
Há, parece-me, uma certa (aparente?) confusão neste post, o que não é habitual em ppp, rigoroso no (correctíssimo)uso da língua portuguesa e mais do que objectivo na exposição das ideias. Tal como a leitura do post pode indiciar, essa confusão é, aliás, "cometida" por JPP no seu artigo de opinião, mas, lido este na sua totalidade, concluiu-se contrariamente ao aqui pretendido, talvez não ingenuamente, por ppp (pelo puro prazer da controvérsia e por provocação, se bem lhe caracterizo o estilo).
Efectivamente, a frase de abertura do post remete-nos para uma equivalente apetência pelo populismo em Cavaco e Santana, só distinta pelas diferentes qualidades das duas personagens, segundo o texto de JPP. Acontece que é no sentido da acentuação dessas abissais diferenças que leio JPP e não num qualquer tardio reconhecimento da tentação populista de Cavaco. Por outro lado, lendo a totalidade do artigo do Público (honra feita a ppp, que o "linkou"), apercebemo-nos do contexto em que o conceito de populismo se insere: a utilização dos media, com as características que estes têm hoje, no quadro imprevisível de uma personalidade como é Santana, mas desgastado este como está pela sua desastrada passagem pela governação. A "chamada" a Cavaco surge por oposição, para acentuar a sua força face à fragilidade de Santana, mesmo quando aquele terá tido a tentação de ceder ao populismo.
O que no artigo de JPP me parece relevante não é a "união" de Santana e Cavaco numa crítica ao recurso ao populismo fácil(it's the politics...), o que se acentua é a falta de substância sobre a qual este se pode estruturar, no caso do nosso ainda Primeiro Ministro.
Esta minha interpretação decorre das frases que se seguem à que foi "iluminada" por ppp:
"Até agora foi o bastante, mas hoje as características genuinamente mediáticas da personagem têm o óbice da péssima imagem do primeiro-ministro.Por tudo isto, Santana Lopes tentará ultrapassar os mediadores - a comunicação social escrita em particular -, para se concentrar na imagem e na palavra afectiva, e nos efeitos televisivos. A ideia da campanha nas aldeias, ou nas "repúblicas" de Coimbra é um pouco bizarra para quem quer dar um sinal de modernidade, mas o que interessa é a criação de motivos de espectáculo televisivo pelo inesperado. É uma variação tardia do banho no Tejo de Marcelo."
É por isto que me parece abusivo concluir que "a grande novidade" no artigo de JPP (se novidade nele existe) é esta "confissão" sobre Cavaco Silva.
Eu diria, com os meus desejos de um óptimo 2005 para este magnífico blogue de ppp, que, quanto ao artigo de opinião deste final de ano com que JPP nos brindou, seria talvez preferível reter para reflexão pré-eleitoral:
"A tendência é para cada vez mais o partido ficar dependente da liderança e do pequeno grupo de estrita confiança que a apoia. Este é um dos problemas mais graves de partidos como o PSD e o PS, onde o caminho para a desertificação é idêntico. Notoriamente, não chega para uma direcção nacional de um grande partido, que tem que defrontar a condução do país, falar para milhões de eleitores e competir num árduo mercado comunicacional."
 
Cavaco não é populista? Não, não, não??????
 
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