quinta-feira, dezembro 23

 

O homem da Regisconta faz-se de novo à estrada




Hoje não estou de acordo com o
Filipe Nunes. O seu post «São assim os partidos de cartel» despolitiza a questão dos «adesivos», não ajudando a entender o «fenómeno». Eis alguns tópicos sobre o tema (muito a correr):

1. Creio que o insuficiente conhecimento dos dossiers não decorre da ausência de recursos por o PS estar na oposição (como o Filipe Nunes já sustentava, aliás, numa conversa virtual que mantivemos há dias). O PCP, que também está afastado da governação, conhece a realidade (e tem sempre os números na ponta da língua). Para isso não é preciso ter mais de dois ou três técnicos que, por exemplo, esquadrinhem as estatísticas do INE. Neste sentido, o que parece faltar ao PS é organização.

2. Mas a falta de organização, antes de ser um problema técnico, é uma questão política [Por que acontece com o PS?] com consequências políticas [Como pode o PS governar se não conhece os assuntos? Ou melhor, que políticas vai o PS aplicar quando for governo?].

3. Acresce que este problema não se circunscreve ao sector público administrativo. Encontramo-lo também no sector público empresarial [Em ambos os «sectores» há recursos que são avidamente disputados].

4. O PS é sociologicamente maioritário na sociedade portuguesa, mas essa maioria «social» não tem tradução em termos políticos e económicos [devido à fragilidade da «classe média»]. O PS pensa poder preencher esta lacuna recorrendo a pessoas que não se situam na sua área ideológica [com Sócrates apelidados de «sectores mais dinâmicos da sociedade»]. O «bloco central» não se circunscreve a um entendimento formal entre o PS e o PSD.

5. Recuemos ao tempo dos governos de Guterres (e em especial às peripécias de Pina Moura enquanto ministro). As maiores pressões do poder económico verificaram-se (e foram satisfeitas) então. Sem uma política própria, o PS deambulou de acordo com as conveniências dos grupos económicos (que, de resto, ajudou a reconstruir), cujos porta-vozes foram exactamente as pessoas de que o PS se rodeou – os quais, logo que se anteviu a chegada de Barroso, zarparam, regressando às origens.

6. Na sua
crónica no DN, de Sábado passado, João Cravinho sustenta que «o Bloco Central espreita a sua oportunidade», defendendo o seguinte:

«
Dar ao PS uma maioria absoluta é para quase todos os efeitos práticos uma condição necessária para travar a caminhada para o Bloco Central. O PS faz bem em pedi-la claramente. Mas precisa de ter a consciência de que não é qualquer maioria absoluta que travará o Bloco Central. Designadamente se ela for conseguida fundamentalmente por votos conjunturais de castigo da coligação e seus protagonistas, em nada vinculados ao que o PS representa e propõe. A falta de compromisso positivo da maioria conduzi-la-á à sua rápida evaporação. Daí a necessidade de sublinhar que não bastará vencer. Será preciso acima de tudo convencer. Em segundo lugar, mesmo convencendo agora, a prova definitiva estará na qualidade da governação. Uma coisa é ganhar as eleições, outra é governar com acerto para vencer a crise sem alienar, antes consolidando, o reconhecimento nacional. Aliás, é na fraqueza da governação futura que o Bloco Central deposita a sua grande esperança. Por si só, e ainda mais se conjugada com a eleição de um Presidente da República como Cavaco Silva. Melhor do que o Bloco Central, só uma governação presidencialista polarizada em torno do PSD, hipótese a não excluir liminarmente, de modo algum.

Adiciono apenas um outro elemento de reflexão sobre a dinâmica de construção de um e outro tipo de solução política para a crise. O pior que o PS poderia fazer seria pensar que as poderia eliminar, matizando suficientemente a sua governação com elementos típicos do Bloco Central. Em política, a imitação é sempre pior que o original


7. Ora, como os sucessivos passes de mágica da Dr.ª Manuela e do Dr. Bagão põem em evidência, o grande problema da governação de Guterres não foi o défice do Orçamento. Foi a tendência inexorável para fazer de ventríloquo, aplicando políticas que não deveriam ter sido as suas.

8. Mas Cravinho é claro quando afirma que ter maioria absoluta não é garantia suficiente para uma boa governação. O lado negro da governação de Guterres resultou de uma aliança objectiva entre o PS, o então PSD e o PP. O pântano não pode ter sido outra coisa que não seja a promiscuidade entre o Estado e os grupos económicos, como já não acontecia desta forma tão intensa desde 1974.

Moral da história: o que está em jogo na hora actual é uma questão (de) política(s) – e não questões técnicas ou administrativas.

Comments:
ó pulga, acho q temos de formar um partido :)
abraço
PAS
 
100% de acordo
 
Muito bem.
Aplaudo.
Grande Blog. Parabéns.
 
Pedro, temos diferenças insanáveis! Os Franz Ferdinand... e o Benfica!
Um grande abraço e um bom Natal

pulga
 
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