terça-feira, dezembro 7

 

A Fonte Luminosa


Marcelo Caetano terá escolhido o seu sucessor, quando expediu Mário Soares para São Tomé. Os detractores de Soares não explicam no entanto o percurso posterior do aristocrata da República: a defesa da «descolonização» contra as ideias federalistas do «Portugal e o Futuro»; o combate contra o gonçalvismo, quando os democratas da 25.ª hora se puseram ao fresco; a denúncia, contra a corrente, das tontarias bonapartistas de Eanes; a defesa da integração na Europa contra as ideias aparentemente dominantes, como as do PSD de Cavaco, ainda muito impregnado do «orgulhosamente sós»; a consolidação orçamental entre 1983-85, corrigindo o populismo da AD (e do ministro das Finanças, um tal Cavaco e Silva) e permitindo às finanças públicas a folga para os números de ilusionismo do governo minoritário de Cavaco (1985-87).

Soares soube sempre antecipar o que a maioria não conseguia ver. Mas o fascínio de Mário Soares provém de, num certo sentido, condensar o que há de melhor e de pior em todos nós – portugueses. A jovialidade, a superficialidade, a bonomia, a escapadela, o desenrasca, a lata. É bom ter na presidência da República alguém para quem a liberdade e a democracia são valores intocáveis. Já pensaram o que seria ter (e ver) todos os dias um presidente da República como Cavaco Silva?

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