quarta-feira, dezembro 15

 

A banca e o Dr. Portas


O Dr. Portas (o das feiras), num momento de assinalável inspiração, encontrou uma explicação para a decisão do Presidente da República de dissolver o parlamento: pressões efectuadas por «uma parte do sector financeiro dirigidas e destinadas a conseguir que permaneça um sistema fiscal injusto». [Ontem, o Dr. Lopes retomou o tema.]

Os cavalheiros da banca ficaram indignados. O presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro, entendeu que tais palavras mereciam resposta. Disse: as declarações do Dr. Portas são «o prolongamento do caso da incubadora: um processo da vitimização ou uma manobra ou as duas coisas em simultâneo».

Vários banqueiros reagiram. Silva Lopes, presidente do Montepio Geral, qualificou as palavras de Portas como o fruto de «populismo demagógico». Fernando Ulrich, do BPI, considerou-as «desprovidas de sentido». Outros responsáveis sustentaram que Portas caiu no «ridículo» e que as suas declarações «não são para levar a sério».

Assente a poeira, o que há de substancial entre o Governo da coligação de direita e os cavalheiros da banca?

A proposta de «orçamento do Dr. Bagão», no linguajar do Dr. Portas, continha de facto algumas medidas que poderiam pôr em causa os interesses da banca: limitação dos benefícios fiscais para efeitos de cálculo do IRC, levantamento do sigilo bancário e fim de benefícios fiscais para as pessoas singulares. Os cavalheiros da banca não simpatizaram com a ideia – e, como o
Pula Pula deu conta, reuniram-se com o Dr. Santana (na presença do Dr. Bagão), tendo deixado ao primeiro-ministro um caderno de reivindicações. A verdade é que, de todas as medidas que a proposta de OE-2005 continha «contra a banca», apenas a eliminação de benefícios fiscais para as pessoas singulares se manteve. Em sede de discussão na especialidade, o OE-2005 foi virado do avesso – e a banca conseguiu, no essencial, o que quis. As propostas de alteração foram apresentadas por Vasco Valdez, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais no Governo Barroso, governo de que consta terem feito parte um tal Dr. Portas e um tal Dr. Bagão.

Aliás João Salgueiro não esconde a sua alegria face às alterações introduzidas na especialidade pela coligação de direita: «nos últimos dias o projecto de Orçamento sofreu vários alterações por sugestão de deputados da maioria e até melhorou». Se melhorou...

Comments:
O boomerang volta sempre à mão de quem o lança!
 
O Portas não tem um pingo de vergonha na cara !
 
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