terça-feira, dezembro 21

 

Bagão, os cavaquistas e o PS – as mistificações passadas e futuras


O Pula Pula não estima o Dr. Bagão (tanto em termos políticos como pessoais, sublinhe-se). Mas transformar o ministro do PP no bombo da festa do défice parece ligeiramente exagerado.

Veja-se o curioso raciocínio que apresenta «
o último dos moicanos e o último dos cavaquistas»: primeiro, responsabilizou em exclusivo o PS pelo défice (como se o país tivesse sido fundado nos Estados Gerais… do PS); depois descobre na Dr.ª Manuela um poço de virtudes orçamentais*; e finalmente faz recair a responsabilidade de todos os males no Dr. Bagão.

A verdade é que, com a governação Barroso/Portas, o défice cresceu. Expurgados os artifícios, o défice do Orçamento é, na hora actual, superior a 5 por cento (de acordo com o Banco de Portugal). A Dr.ª Manuela não só não tomou quaisquer medidas de fundo para suster o défice como, ao bramir o discurso do país de tanga, corroeu as expectativas dos agentes económicos, contribuindo para a recessão com que o país ainda se debate.

Primeira conclusão: a recessão é mais consequência de uma gestão errada das expectativas do que de cortes abruptos no Orçamento do Estado.

Ao contrário do que sustentam os cavaquistas, a governação Santana/Portas não abriu (ou não teve tempo de abrir) as portas ao despesismo. É certo que a política do néon faz supor que jorra dinheiro por todas as frestas do Terreiro do Paço, mas o Dr. Bagão, que jamais deixou de alimentar também este fogo de artifício permanente, não desatou, de facto, os cordões à bolsa: a redução do IRS, aliás insignificante (
e que vai favorecer quem foge ao fisco), é suportada pela eliminação dos benefícios fiscais das pessoas singulares; e ainda está por provar que o desprezível aumento dos funcionários públicos tenha um valor superior ao acréscimo da inflação.

Segunda conclusão (esta necessariamente provisória, dada a dificuldade em calcular a desorçamentação nos opacos orçamentos do Estado): o OE-2005 (o «Orçamento do Dr. Bagão», como o apelidou o inenarrável Dr. Portas) não é mais nem menos despesista do que os orçamentos da Dr.ª Manuela. Ambos os ministros usaram e abusaram das operações de cosmética. Ainda hoje o Dr. Bagão acusou a Dr.ª Manuela de ter contabilizado em 2003 receitas de Janeiro de 2004 relativas aos impostos especiais sobre o consumo (impostos sobre os produtos petrolíferos e energéticos, o álcool e as bebidas alcoólicas e os tabacos manufacturados). Mas ninguém conseguiu arrancar ao Dr. Bagão uma palavra sobre as manigâncias com a desorçamentação (por exemplo, com o Instituto de Estradas de Portugal) que ele próprio realizou…

É neste quadro fratricida que aparece o PS a protestar contra a venda do património imobiliário (prevista no OE-2004, de resto). Que alternativas apresenta o PS, sabendo-se que a despesa primária é rígida? Vai cortar nos vencimentos? Nos subsídios do desemprego? Nas pensões? Nos subsídios às empresas? No consumo de bens intermédios?

Terceira conclusão: nenhum dos partidos que se propõe governar o país sabe como reformar o aparelho do Estado.

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* É sintomático que
JPP, que tanto critica os outros por não irem à substância das coisas, tenha preferido limitar a sua análise da «conferência de imprensa patética» aos sorrisos e à ridícula vitimização do Dr. Lopes. Não é isso que interessa.

Comments:
E vai de cruz!
O actual governo foi penalizado por ser incompetente, mas em nada alterou o que estava já feito!
Ainda bem, mas a verdade é que a actual situação só pode ser assacada ao governo de Durão Barroso.
 
Pulga, você é bom, já o provou.
Conhece o MF muito bem, nota-se.
Como todas as pulgas que se prezam, flutua, flutua e "navega" em todas as águas partidárias.
Assuma-se, pulga e quando o convidarem para ministro, pule.
 
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