sexta-feira, novembro 12

 

«Rapidamente e em força para Angola»


Em 1912, o parlamento português aprovou por unanimidade um projecto que previa a colonização pelos judeus de uma área de 45.000 Km2 no planalto de Benguela. A Jewish Territorial Organisation, uma organização que se dedicava principalmente à procura de um território para instalar os judeus em qualquer parte do mundo, veio a recusar o projecto, por considerar as concessões feitas pelo governo português insuficientes para poder vir a constituir uma «nova pátria judaica».

A História regista várias outras tentativas de alojar os judeus em Angola, designadamente depois de Hitler ter chegado ao poder. Umas dessas tentativas parece ter abortado porque o Daily Herald, jornal inglês, divulgou, na sua edição de 30 de Abril de 1934, as negociações em curso, num artigo com o seguinte título: «Nova casa para 5.000.000 judeus. Projecto de acordo para o oeste de África. Portugal oferece-se para dar terra». A notícia dava conta da existência de negociações secretas entre uma delegação judaica e o governo português para a fundação de um Estado autónomo em Angola, que ficaria sob a presidência da Sociedade das Nações.

Se tivesse vingado a hipótese de fundar um Estado autónomo em território pertencente a Angola, como seria o mundo no início do Século XXI? E como teria sido definida a ideologia que justifica a existência de uma «pátria judaica»?

Comments:
Convém talvez lembrar que já no 1º congresso sionista realizado em 1897 na Suiça, onde se concluiu pela criação de um estado judaico,se apontava a Palestina como a zona do mundo onde esse estado deveria ser estabelecido e que os judeus nunca aceitaram outra solução, das várias alternativas que foram sendo apresentadas.
A possibilidade oferecida pelo Reino Unido para o estabelecimento do estado judeu no Uganda foi recusada logo no início do sec. XX, como a possibilidade da fixação em Angola também foi recusada pela JTO, sabendo-se que o interesse de Portugal nessa fixação no período que decorreu entre as duas guerras se ficou a dever a razões geo-estratégicas que tropeçaram, quer na resistência dos ingleses, que não queriam colonos judeus alemães junto às suas colónias em África, quer no desinteresse dos próprios sionistas. E com Salazar, no período em que todas as nações se recusavam a acolher um estado judaico, foi o que sabe, muita diplomacia, mas nenhuns resultados.
Como exercício, pensar o que seria hoje o mundo se o estado judeu se tivesse fixado em Angola, poderá ser interessante, mas não me parece que isso pudesse ter acontecido, até porque a procura de território para a fixação do estado judaico coincidiu com movimentos de expansão e fortalecimento dos impérios coloniais naquela zona da África austral e importa ter presente como esses movimentos influenciavam os equílibrios políticos numa Europa em conflito. Quanto à definição da ideologia que justifica a existência de uma pátria judaica, tendo essa ideologia surgido muito cedo relativamente a esta solução Angola, não teria tido qualquer relação com outro espaço geográfico que não fosse a Palestina, a não ser como condicionante de qualquer opção que não passasse por aquele território.
 
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