segunda-feira, novembro 8

 

Portagens em Lisboa e no Porto


Santana, ainda autarca, teve um rasgo: há que introduzir taxas de circulação automóvel à entrada da Lisboa. O Conselho de Ministros da passada quinta-feira aprovou a proposta, metendo o Porto no mesmo saco. Carmona concorda, pois então… É uma boa medida? Ninguém sabe… porque ninguém se deu ao trabalho de pensar no assunto, de o estudar.

Eis 7-boas-razões-7 para rejeitar o último desvario da «barca dos loucos»:

1. É certo que Londres (ou Singapura ou Oslo) tem portagens, mas estas resultaram de estudos consolidados. Foram os poderes públicos, apoiados nos órgãos de planeamento e coordenação públicos, que conduziram o processo e tomaram as decisões. Com Santana (e Mexia, claro), os estudos foram encomendados a privados (as empresas de consultadoria e as empresas fornecedoras), que querem naturalmente impingir soluções e tecnologia. Ao entregar-se a condução do processo a privados, há um risco elevado de os políticos poderem ser enganados. É o mínimo que se pode dizer.

2. O mayor de Londres, Ken Livingstone, estudou o assunto e não se atreveu a introduzir as portagens sem antes referendar a sua proposta (em eleições locais), contrariamente ao que Santana quer fazer.

3. Acresce que é preciso ter em conta as diferenças abissais entre Londres (cidade com 10 milhões de habitantes numa região com 18 milhões) e Lisboa (650 mil habitantes numa região com 2.5 milhões).

4. Por outro lado, é notória a incoerência dos projectos de Santana: o túnel do Marquês convidava o automobilista a entrar na cidade; as portagens barram-lhe a entrada; o anunciado túnel entre a Trafaria e Algés volta a ser um convite à entrada na cidade (e à construção desenfreada na outra margem…).

5. Os especialistas em transportes consideram que a principal variável para o controle do tráfego nas cidades é o estacionamento – pago. Se a Câmara de Lisboa não consegue evitar a vandalização das máquinas de pagamento, não seria de bom senso dotar a EMEL de gente capaz de gerir o estacionamento em Lisboa (em lugar da rapaziada recrutada no Caldas), antes de se querer abalançar a outros voos?

6. Se o objectivo da introdução das portagens é o de reduzir substancialmente o tráfego, há então que, previamente, investir no transporte público. Isto não está definido. Nem sequer está previsto que as receitas da taxa de circulação revertam para a melhoria dos transportes públicos. Aliás o caso EMEL aconselha prudência, para que se não repitam experiências em que os proveitos não cobrem sequer os custos de exploração…

7. Portugal é um país pobre. As classes «média» e «baixa» não estão em condições de suportar mais dificuldades. E neste contexto, como afirmava ao
Público Rio Fernandes, autor de um estudo sobre a mobilidade na Área Metropolitana do Porto, «esta taxa corre ainda o risco de, imposta isoladamente, ser socialmente injusta, prejudicando sobretudo as pessoas de menores recursos que adquiriram casa própria na periferia, em zonas mal servidas por transportes públicos».

Santana, Carmona e Mexia: «cuidado com os rapazes!» Mais cedo ou mais tarde, eles vão à vida. Não veremos obras, mas deixarão os contratos assinados. E quem os vai pagar, quem é?

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