segunda-feira, novembro 29

 

Novas fronteiras [1]


Filipe Nunes comentou uma notinha do Pula Pula no excelente País Relativo. Um fim-de-semana agitado não me permitiu responder-lhe. Segue agora a resposta em dois «actos», lamentando o atraso.

Filipe Nunes critica-me por falar na «abulia» do PS, mas concorda implicitamente comigo quando conclui que a circunstância de o PS estar na oposição explica e parece justificar o apagamento relativo de Sócrates. Assim sendo, o que estará em causa é saber se se trata de uma inevitabilidade «um partido com vocação de poder» não se fazer ouvir quando se arrasta pela oposição.

Não vivemos hoje uma situação normal de alternância de poder. Não tenhamos medo das palavras: Santana levou a cabo um efectivo «golpe de Estado» no PSD e soube explorar as hesitações e a tibieza de Sampaio. Apesar da manifesta incapacidade do Governo, a verdade é que os aspectos que se retêm da sua actividade são o profundo desrespeito pelas regras democráticas, a notória ausência de sentido de Estado e a promiscuidade desavergonhada entre alguns grupos económicos e o aparelho de Estado.

Perante este quadro devastador, que criou um mal-estar generalizado na sociedade portuguesa, esperar-se-ia que o PS assumisse as suas responsabilidades, preparando-se para vir a exercer o poder. No entanto verifica-se que o PS está sossegado à espera que o Governo se desfaça: «Deixa-me cá estar sossegado, pensará Sócrates, porque este governo é tão mau que cai de podre sem ninguém lhe tocar.» É possível que isto seja suficiente para levar Sócrates ao poder. Mas será bom para os que se dispõem a votar no PS?

Nestas circunstâncias, o PS pode chegar ao poder sem se comprometer com nada. Mais grave: o PS pode assumir a governação sem saber exactamente o que fazer. Não me parece que isso seja uma perspectiva que possa entusiasmar quem quer que seja, salvo os pescadores de águas turvas.

Hoje em dia, existem muitas maneiras, mesmo para um partido que está na oposição, de poder exprimir-se. Veja-se a este título que, em certa medida, têm sido os blogs, nomeadamente o
Abrupto, o causa nossa e o Bloguítica, que têm conduzido a luta contra o Governo deste «pobre país», levantando questões e suscitando temas que depois saltam para os jornais.

Uma coisa é certa: quando estão na oposição, os partidos não têm dinheiro para grandes campanhas. Mas tomar posição sobre os assuntos não custa dinheiro. E a verdade é que sobre inúmeras matérias ninguém sabe como Sócrates se propõe resolver os problemas.

Comments:
Muito "pulga", este post.
Está cá tudo, sucintamente.
O vandalismo desta equipa "governativa", a apatia do maior partido da oposição, a preocupação perante um futuro de mais do mesmo.
Espera-se, com muito interesse, o 2º acto.
 
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