sexta-feira, novembro 5

 

Malta da discoteca substitui pessoal da via


O management à António Mexia chegou à CP. Os Caminhos de Ferro Portugueses foram esquartejados em «unidades de negócio». «Isso é grave?», perguntará o desprevenido leitor. Não, a não ser para os «utentes», mas admito que isso seja um detalhe irrelevante.

Ana, uma cliente da CP, conta ao
Público que «foi na semana passada visitar os pais a Penafiel e teve que comprar um bilhete da Amadora para a gare do Oriente, outro entre esta estação e Porto Campanhã e um terceiro bilhete para Penafiel. Descobriu que teve de ir a três bilheteiras em três estações porque viajou em três unidades de negócio distintas que operam como se não fossem a mesma empresa CP. Antigamente, quando os administradores não tinham o discurso da "aproximação ao cliente", Ana comprava na Amadora um bilhete para qualquer estação do país.»

Fernando Pedreira, um observador atento da ferrovia, também ouvido pelo Público, ajuda-nos a perceber a estratégia do Governo para eliminar o défice no sector dos transportes. Diz que a CP «está a enxotar os clientes com estas complicações» em vez de lhes facilitar a vida. E conta que antes de 1947, quando havia várias companhias de caminhos de ferro, «o ignorante factor, que tinha apenas a quarta classe, e que tinha como equipamento mais moderno uma caneta de tinta permanente e papel químico, passava um bilhete directo de Viseu para Algés e o dinheiro era devidamente distribuído. Mas agora com os computadores não dá!»

Pois é, «não dá mesmo», a malta da discoteca atrapalha-se com os computadores. Aconteceu o mesmo com a colocação dos professores, ao que se diz.

Comments:
Em 1990 o "ignorante" factor continuava a vender bilhetes de qualquer ponto do país para qualquer ponto do país com recurso ao mesmo papel químico e a uma simples caneta da bic ou da molin. Se o Estado pudesse processar administradores de empresas públicas pelos danos causados na gestão dessas mesmas empresas aposto que não havia um único elemento dos sucessivos conselhos de administração pós 25 de Abril que não fosse sentar o rabinho bem remunerado no banco dos réus.
 
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