quinta-feira, novembro 4

 

Guterres, o candidato do Barnabé a Belém



Andy Warhol, Heinz Box, 1964


Ralph Nader foi até ao fim. Daniel Oliveira ficou exasperado com a sua ida às urnas, que se saldou por «resultados quase patéticos». Aproveita a ocasião para ministrar uma lição de teoria política, com uma conclusão aterradora: «a cegueira táctica, na política, tem resultados tão desastrosos como a falta de princípios.» Não tendo identificado os destinatários da lição, é provável que estivesse a falar para o «interior» do BE («a lição para quem julga que as decisões políticas não estão sujeitas a critérios tácticos.»)

Daniel Oliveira não diz uma palavra sobre as propostas de Ralph Nader. Nem se pronuncia sobre a disponibilidade de John Kerry para incluir no seu programa algumas das questões suscitadas por Nader. E dá uma explicação para a ida às urnas que poderia fazer uma excelente manchete do 24 Horas: «a vaidade» traiu «um homem íntegro».

Esqueçamos a vacuidade de um post que põe em evidência que Daniel Oliveira ainda não se desembaraçou de tiques e chavões antigos, quando se trata de sovar «forças hostis», sejam elas quais forem, ou estejam elas onde estiverem.

O que há de interessante (?) a reter é que Daniel Oliveira acaba de anunciar a estratégia do BE (ou do «grupo» parlamentar) para as presidenciais. E Guterres fica a saber que poderá contar com o apoio incondicional (ou seja, sem condições) de Daniel Oliveira. Em nome de «uma situação de urgência cívica». Tendo em conta «a leitura do momento político». E a necessidade de «sujeitar» as «decisões políticas» «a critérios tácticos». Estou desconfiado de que Cavaco e Sócrates andam a partilhar, à socapa, a leitura de Bernstein com Daniel Oliveira. «O movimento é tudo», como se sabe há cerca de cem anos.

Comments:
Excelente post. Sinceramente espero que nas presidenciais a escolha não seja entre Guterres e Cavaco.
 
A picada da Pulga é certeira. Mas não concordo com o Luís: Cavaco e Guterres são as melhores opções que cada um dos lados neste momento tem para nos dar. Qualquer um deles dará um Presidente muito melhor do que aquele que actualmente temos.
 
post letal. bem visto
 
Nenhum destes dois dará um bom presidente.
Cavaco por ser demasiado bom, Guterres por ser demasiado mau.
Há que escolher uma folha de couve meia murcha, mais ao estilo do que temos agora. Não faz nada de relevo, mas também não empata. Não existe.
 
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