segunda-feira, novembro 15

 

A guerra permanente


O artigo de Vasco Pulido Valente no Público de ontem, domingo, que não está disponível na net:

«A agonia de Arafat foi artificial e arrepiantemente prolongada para dar tempo a que se discutisse o lugar onde devia ser enterrado. A presença dele, até morto, ou sobretudo morto, podia legitimar a exigência de território que Israel considera seu ou (como, por exemplo, em Jerusalém) suscitar uma peregrinação contínua, fatalmente perigosa. Mesmo perante esta evidência, Blair e Bush insistiram em dizer que, a remoção do homem, abria uma “oportunidade” de paz. Não se percebe como esta ideia ocorre ainda a uma cabeça pensante. Excepto, claro, em gente que parte do princípio que todo o problema tem uma solução. Infelizmente, este problema não tem solução. A guerra entre Israel e o mundo árabe vai continuar indefinidamente, qualquer que seja a forma que tomar. Ao contrário do que em geral se pensa, essa guerra começou logo em 1917 com a “declaração Balfour”, que reconhecia, em nome da Inglaterra, o direito do “povo judaico” a uma “casa nacional”. Não custa compreender porquê. A “casa nacional” era a prazo uma evidente ameaça para a população indígena e também uma ingerência inaceitável do poder imperial na comunidade muçulmana. Dali em diante, o ódio ao judeu e, a seguir, ao Estado de Israel não parou de crescer.

Hoje com um Estado de Israel militarmente poderoso e relativamente próspero e um mundo árabe afundado na estagnação e na miséria, sob a hegemonia americana, a situação não mudou. Se alguma coisa, piorou. Por um lado, nenhum palestiniano jamais negociará com Israel uma convivência que acha injusta, humilhante e religiosamente reprovável. E, por outro, sabendo isto, nunca Israel porá em causa a sua segurança. O mundo árabe, na Palestina ou fora dela, quer simplesmente destruir Israel, o símbolo do mal e o bode expiatório do seu fracasso. Israel quer muito logicamente sobreviver. A diplomacia é aqui inútil, quando não é um instrumento de guerra. Só a “Europa” e América acreditam nela. A Inglaterra e a França, que dividiram a seu prazer o Império turco e criaram a presente tragédia; e a América, que as substituiu, com uma singular irresponsabilidade e cegueira. Convém lembrar que Arafat, o terrorista, era a à sua maneira um moderado.»

Comments:
obrigado pelo eco, que aqui não chegaria. esclarecido e desalinhado, no seu melhor
 
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