quarta-feira, novembro 24

 

E os ayatollahs aqui tão perto


O Pula Pula já havia feito publicidade por duas vezes (
Os subterrâneos da escravidão e Os Buttiglione de cá) ao Movimento Comunhão e Libertação. Também o Diário Ateísta tem dedicado alguma atenção a este movimento (Génese do Fundamentalismo e Fundamentalismos católicos: Rocco Buttiglione forma lobby).

A última edição do Expresso traz uma entrevista com o Padre João Seabra, que dirige o movimento em Portugal. Não se trata de uma entrevista que faça história. A agressividade de João Seabra parece ter intimidado as jornalistas. Quando lhe perguntaram se podiam assistir às «reuniões» do movimento, replicou: «Claro. Mas se estiver lá com cara de sonsa para depois ir para o EXPRESSO dizer mal, no dia seguinte não a deixo entrar. Mas isso, só porque não sou parvo. (…) reservo-me o direito de me defender de provocadores.» E à questão de saber se a ministra Maria do Carmo Seabra, irmã do entrevistado, é do movimento, disparou à queima-roupa: «Acho uma pergunta impertinente

Nem sequer as múltiplas contradições do entrevistado espicaçaram as jornalistas. Por exemplo, quando sustentou: «Não temos nenhum objectivo de intervenção na sociedade. Apenas queremos educar cristãos adultos.» Mas logo a seguir admite ter criado um colégio e, ao mesmo tempo, desenvolver um programa específico nos liceus: «Acompanhamos os nossos rapazes e raparigas dos liceus com um programa cultural, para formá-los, obrigá-los a ler. (…) Fazemos fins-de-semana de estudos, que é coisa que eles gostam muito.» E nas férias? «Rezamos, fazemos passeios, jogos. São férias muito divertidas.» E intervêm na política? «Temos os deputados Pinheiro Torres e Isilda Pegado», que estão «na política em nome pessoal», muito embora a sua actividade seja predominantemente a de divulgação da organização de que são parte integrante.

Talvez haja apenas um aspecto interessante na entrevista, pelo menos para os eventuais interessados. O Padre João Seabra explica como se seleccionam e recrutam os membros do Movimento Comunhão e Libertação: «Não há convites, nem perfil. Todos podem pedir para aderir. Depois são avaliados por mim sobre a seriedade do seu empenho. É muito simples: a secretária faz-me as folhas e eu digo: "Este sim, este sim. Este não, é preciso esperar um pouco." Depois, os pedidos são mandados para Itália e as pessoas recebidas na comunidade por monsenhor Giussani.» À pertinente questão de saber como avalia as candidaturas, o Padre João Seabra responde: «O amor a Cristo deve ser a única razão para entrar e o meu único critério

O entrevistado não explicita os dons que possui para poder medir, através das «folhas» que a sua secretária lhe faz chegar, o «amor a Cristo». Muito menos explica por que membros influentes da Comunhão e Libertação foram apanhados na Operação Mãos Limpas – e por que, nessa altura, a voz do Padre João Seabra engrossou o coro de protestos regido pela Máfia (a siciliana, é claro).

Comments:
Enquanto lia a entrevista do Expresso fiquei na dúvida se o entrevistado era um mafioso, um ayatollah ou um pedófilo.
 
Deve ser um misto de mafioso, ayatollah e pedófilo.
 
Isso é tudo dor de cotovelo?
Realemnte os meios de comunicação social metem nojo! Mas como disse o Pd Joao... quem quer perceber com seriedade... apareça!
 
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