sexta-feira, novembro 26

 

Aggiornamento ou não, eis a questão


1. Reconheça-se que a comunicação social não esbanja recursos com o PCP. Mas a verdade é que o PCP também não ajuda. O «Partido» é, na hora actual, uma coisa híbrida: os objectivos foram cuidadosamente empalhados e mantidos no sótão longe da vista; a sua voz já não dirige nem «educa», apenas alimenta e amplia as conversas de café – o enriquecimento fácil, o fausto e a incompetência generalizada dos políticos são as causas que levam ao rubro os frequentadores das variedades da Festa do Avante.

2. A realidade nacional mudou para o PCP. Onde antes havia luta de classes, há agora uma imprecisa dicotomia entre ricos e pobres. O PCP reivindica a representação das classes D e C, disputa os amores (e os humores) da classe B e oferece ao inimigo a classe A. O Governo (e o aparelho de Estado) já não é visto como um instrumento do Capital, mas como um bando de incompetentes que se entretém a desbaratar os recursos «nacionais».

3. A realidade internacional igualmente mudou para o PCP. O «Partido» procura, aliás sem êxito, reinternacionalizar-se. A sua vasta experiência nos jogos de poder entre as superpotências ainda não suscitou suficiente interesse a nenhuma potência emergente, designadamente à China da «economia de mercado planificada». A equipa de Albano Nunes arrisca-se a ter de recorrer em bloco ao subsídio de desemprego.

4. O PCP só não mudou no estilo. Ainda assim não há fazedor de opinião que se preze que não exija que o PCP «mude». Parece o cúmulo da hipocrisia, a não ser que o objectivo seja mesmo abreviar-lhe a vida. Onde estão os partidos comunistas de Itália, de Espanha e de França, que «mudaram»?

5. Convém recordar que os avós do BE sustentavam, nos idos de 60, que o PCP mudara quando resolveu adoptar a tralha krucheviana e brejneviana. O MRPP, por seu turno, considerava que as ordens de Moscovo só foram aceites porque o PCP, criado por anarco-sindicalistas, já não era comunista. Ou nunca chegara a sê-lo. Os «controleiros» da Internacional Comunista parece que também não ficaram entusiasmados com o que encontraram por cá.

6. O Fórum da TSF de hoje, dedicado ao congresso de Almada, dá a exacta noção do estado do «Partido». Esta manhã, o sempre atento Vítor Dias jurava a pés juntos que o PCP está mais «pujante» do que nunca; um outro participante, certamente membro do «colectivo», dava uma explicação plausível para a fuga desordenada dos autarcas: «o que eles não querem é partilhar com o Partido a sua pensão de reforma como políticos

7. Em conclusão, o PCP, que estava ancorado nas autarquias locais, corre o risco de se ver confinado à CGTP, ou melhor, aos sindicatos da função pública, os grandes contribuintes liquidos do sindicalismo à Jerónimo de Sousa. O problema é que, mesmo por linhas tortas, a CGTP tem servido de travão ao emagrecimento dos salários - e o PS e o BE não parecem estar em condições de exercer esta função «trade-unionista».

Comments:
é mesmo assim. quase tudo assim, o que é trágico! PAS
 
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