domingo, outubro 3

 

Reminiscências de 3 de Outubro


Hoje, há 14 anos, consuma-se a reunificação da Alemanha. A este propósito, George Steiner, observava o seguinte em Barbárie da Ignorância (Fim de Século, 2004, p. 48): «Quando estive na Berlim-leste dos anos brejnevianos e pós-brejnevianos, havia cinco peças de teatro clássico, vinte concertos e recitais clássicos por noite. Agora, há a Jackie Collins, as cassetes porno, o teatro mais banal e a última comédia musical americana. As palavras fast food invadiram tudo, os McDonald's e os Kentucky Fried Chicken do espírito humano levam a melhor por um milhão contra um sobre a cultura. Com que direito? É aqui que a questão se torna realmente difícil e política. Com que direito podemos tentar forçar um ser humano a assumir um nível mais elevado nas suas alegrias e nos seus gostos? Quanto a mim, creio que ser professor é apossar-se desse direito. Não se pode ser professor sem se ser interiormente um déspota, sem se dizer: "Vou-te fazer gostar de um texto belo, de uma música bela, de altas matemáticas, de História, de filosofia." Mas, atenção, a ética desta esperança é muito ambígua.»

Igualmente hoje, há 36 anos, reúne-se a comissão executiva da União Nacional. Após exprimir a sua confiança no novo presidente do Conselho de Ministros, sustenta: «Está certa a comissão executiva de que o Prof. Marcello Caetano saberá corresponder inteiramente a esta confiança, nos termos da sua declaração de 27 de Setembro que definiu com tanta lucidez as obrigações indeclináveis que se deduzem da fidelidade aos princípios e do propósito firme de os realizar, através de uma política de sentido positivo que tenha como pólos principais a defesa intransigente da integridade do território nacional, a segurança da ordem pública, a consolidação das instituições através do seu progressivo aperfeiçoamento e a cooperação fraterna de todos os portugueses de boa vontade.»

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