terça-feira, outubro 5

 

Que faz correr Gomes da Silva? [mesa redonda no Pula Pula]


Participaram na mesa redonda José Pacheco Pereira (JPP), Vasco Pulido Valente (VPV) e Vital Moreira (VM). Eis um extracto da conversa:

Pula PulaComo qualificam o ataque desencadeado pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, contra Marcelo Rebelo de Sousa?
VM - Hilariante...
VPV - A lógica é muito manifestamente aproveitar a fraqueza da oposição e de Sampaio para varrer o campo. Se este Governo conseguir cumprir o caderno de encargos da Direita indígena, mesmo que por azar perca em 2006, terá criado uma situação irreversível e, na prática, deixado a Esquerda (esta que por aí anda pelo menos) sem espaço de manobra. Em vez de perder tempo com as gaffes do primeiro-ministro, seria bom compreender que por detrás da presente confusão está provavelmente uma política de "factos consumados", meditada e dura. Talvez não pelo próprio Santana Lopes, mas com certeza pela gente interessada em se livrar do peso do Estado-Providência e estabelecer uma ordem social que a sirva. Claro que a existência de uma democracia complica o exercício.
VM – [Voltando-se para VPV] Quando o Governo de Santana Lopes não resiste a pedir o silenciamento de MRS, é caso para dizer que já perdeu o tino.
VPV – [Esfregando o cocuruto, como quem diz: «onde vim eu meter-me...»] É preciso conservar uma certa autoridade e, de caminho, não perder a cauda populista que o PP e Santana conseguiram criar. Sucede que também neste capítulo já se começam a tomar precauções. Não por acaso o PSD/Porto e, no DN, um professor anónimo se atiraram simultaneamente a Marcelo Rebelo de Sousa, que se tornou com a sua enorme influência um incómodo sério. E não por acaso, Morais Sarmento se lembrou agora de fazer uma nova lei de imprensa, que ninguém pediu e ninguém lhe agradece. A "revolução" em curso precisa da cumplicidade ou da complacência dos media: da televisão, da rádio e dos jornais. Voluntária ou imposta. Tudo se junta e se junta bem. Julgar esta Direita por alguns sarilhos sem alcance é um erro e, pior do que um erro, um acto de egrégia idiotia.
JPP – [O tino, Vital?!] Trata-se nem mais nem menos do que denunciar algo que numa democracia sempre seria tido como muito grave: um apelo de responsabilidade do Primeiro-ministro, via Ministro dos Assuntos Parlamentares, à utilização do aparelho de Estado para punir um delito de opinião de um comentador político, que fala numa televisão privada, em moldes que só a ambos dizem respeito, à TVI e a Marcelo Rebelo de Sousa. É de liberdade de expressão que se trata, e isso por si só justificaria a demissão do ministro.

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