sexta-feira, outubro 15

 

«Para além disso, eu não sou de direita.»*


Uma sondagem da Universidade Católica (para a RTP e o Público) deu o mote: «Dicotomia esquerda-direita esbate-se em Portugal». Pouca importância deu o Centro de Estudos e Sondagens de Opinião ao facto de uma percentagem elevada dos inquiridos não se rever na simbologia adoptada (20 por cento no que respeita à determinação de «esquerda» e 24 por cento quanto à definição de «direita»). Pacheco Pereira pega na deixa e escreve um folhetim sobre o assunto (cujo primeiro número saiu no Público de ontem): «O retorno em força da dicotomia esquerda/direita no discurso político português, que se está a dar nos últimos anos, introduz mais confusão do que clarificação e é por si próprio uma forma de arcaísmo. É muito provinciano e local, porque este retorno às divisões classificativas simples, tem muito a ver com a nossa história política mais recente e isola-nos dos debates mais interessantes que se passam, por exemplo, nos EUA, no Reino Unido, na Itália, em Espanha, onde estas pertenças dicotómicas já não são centrais na vida pública.» Hoje, no DN, Vasco Pulido Valente distingue o «social» do «político» – a realidade económico-social da sua representação política: «Dizem que já não há Esquerda, nem Direita. Talvez não. Em todo o caso não deixou de haver "os de cima" e "os de baixo"». Por mais "poeira" que haja no ar, a questão que subsiste é saber se o capitalismo pode resolver os problemas que o império soviético não resolveu. Pode, Pacheco Pereira?

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* Pacheco Pereira,
Abrupto.

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