sexta-feira, outubro 8

 

Marcelo


Vasco Pulido Valente no DN de hoje (link não disponível):

"Vinte e quatro horas depois de o ministro Rui Gomes da Silva ter acusado Marcelo Rebelo de Sousa de «mentir» na TVI e «destilar ódio ao primeiro-ministro», «com desfaçatez e sem qualquer vergonha», Marcelo Rebelo de Sousa foi forçado a sair, declarando, por implicação, que já não o deixavam «livremente» falar. O Governo removeu assim o seu crítico de maior influência, coisa que em mais de quatro anos nenhum outro sequer pensou fazer ou, se pensou, não se atreveu. Isto é o princípio de uma história, não é o fim de uma história. Na própria TVI, falta ainda Miguel Sousa Tavares (que suponho, e espero, marchará para casa pelo seu próprio pé) e, na SIC, Pacheco Pereira (embora não imagine Balsemão no papel de censor). Fora que, na imprensa, existe ainda muita gente de quem o Poder não gosta e tem maneira de calar. Desde que se estabeleceu a democracia em Portugal nunca se passou um caso destes. Considerar que se trata de um incidente isolado, da situação especial de Marcelo ou de uma querela entre ele e a TVI seria um erro grave. Há um propósito assente (e bem visível) de usar o Estado, directa ou indirectamente, para reduzir ao mínimo a oposição pública e aberta: na televisão, na rádio e nos jornais. Certas manobras, grandes manobras, precisam de não se ver com muita clareza; e a impopularidade desta Direita radical e fanática não se deve tornar incontrolável, principalmente tão perto das eleições. Marcelo é um aviso: se o liquidarem a ele, ninguém está seguro. Resta agora saber o que se vai seguir. Se o Presidente da República assiste ao episódio imóvel e tranquilo; se a oposição do senhor Sócrates se limite a uma berrata sem consequência; e se os «comentadores» se ficam por um «comentário» enrolado e nulo. A demissão de Marcelo ou serve para pôr um limite à interferência do Governo nos media; ou inaugura a corrupção final do regime."

[Sublinhados da responsabilidade do Pula Pula]

Comments:
A procissão ainda vai no adro.
 
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