domingo, outubro 10

 

Eleições


Vasco Pulido Valente no DN de hoje (link não disponível):

"Por causa de um computador novo, com que ainda não me entendo bem, «caíram» duas linhas (a segunda e a terceira) na minha última coluna. Por sorte, vale a pena transcrever a versão original, que era a seguinte: «A remoção de Marcelo, como se veio a saber, não foi o resultado de um acto de fúria imprevisto e espontâneo. Foi o resultado de uma campanha premeditada e planeada no gabinete de Santana Lopes.» Desta premissa se retirava a conclusão final de que só um governo ilegítimo e adventício se atreveria a usar o Estado para esse miserável ajuste de contas. Muito a propósito, os jornais confirmaram ontem que desde o princípio Santana tencionava «equilibrar» os media à sua maneira e em seu proveito. A intenção, como se compreenderá, revela por si mesma uma inquietante disponibilidade para usar métodos de legalidade, pelo menos, duvidosa. De que métodos se trata ninguém ignora. Felizmente – e por uma vez – não houve um comentador que não acusasse o poder politico de pressionar abertamente o poder económico. O que espanta é que a enormidade deste exercício de corrupção, que se presume inegável e corrente, não seja investigada e punida. Numa democracia normal, pessoas responsáveis por proezas parecidas não estão nos ministérios. Na América, por exemplo, estão com frequência na cadeia. Aqui, o Presidente suspira, o Parlamento faz que faz mas não faz e a polícia dorme. Daqui a umas semanas, com o «caso» Marcelo esquecido e enterrado, recomeça certamente a limpeza que Santana quer, perante a indiferença geral. Em Portugal acaba sempre tudo em farsa. Depois de umas cenas de sentimento, o país volta com gosto à sua querida chafurdice. Existe, é claro, uma solução simples para pôr a casa em ordem: demitir o governo e convocar eleições. Mas quem pensa seriamente nisso?"

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