sexta-feira, outubro 29

 

«Illustrated Lectures are an Important Part of Instruction»



Fotógrafo não identificado, 1918

 

A liberdade e o contraditório


Consumada a operação de terra queimada levada a efeito pelo Governo no DN, a opinião que nos oferece a Lusomundo é a do Delgado, a do Resendes, a da mãe do ministro e a do JCN (Jesus Cristo da Nazaré). O contraditório, vejam bem, é assegurado pela «Geração de 70». Isto é um mero ponto de situação da liberdade de imprensa, a submeter à consideração de Sua Excelência o Presidente da República.

 

Alberto quer, João vai ter…


Alberto João exigiu a José Manuel a autonomização dos serviços de finanças da Região Autónoma da Madeira. Assim sendo, o último conselho de ministros presidido por Durão Barroso aprovou de supetão a regionalização do «fisco» da Madeira. Tanta correria haveria de dar mau resultado: o Governo esqueceu-se de «ouvir» os sindicatos.

O actual governo supriu esse lapso e, brevemente, os serviços de finanças da Madeira deixam de estar integrados na DGCI e acolhem-se sob o manto protector de Alberto João.


Em todo o caso, é bom que se saiba:

a) A fiscalização das pessoas e das sociedades comerciais com domicílio fiscal na Madeira, incluindo as que se encontram abrigadas na Zona Franca do Funchal, passa a ser exclusivamente decidida por entidades que dependem da Quinta Vigia (ou Quinta das Angústias, como era conhecida antes de ser adquirida pelo Governo Regional);
b) Tendo em conta as taxas praticadas no arquipélago (devido aos «custos da insularidade»), poderá ser um bom negócio mudar a residência para a Ponta do Sol.

As recentes intromissões de Jardim na actividade da Polícia Judiciária dão uma ideia de como vão funcionar os serviços de finanças sob a batuta do Governo Regional. Jaime Ramos, um emérito fiscalista, estará seguramente à altura de conduzir os destinos dos serviços regionais de finanças. O Governo Regional não corre riscos: o Orçamento do Estado há-de continuar a cobrir, de uma forma ou de outra, os sucessivos défices da Região Autónoma.

quinta-feira, outubro 28

 

Isto anda tudo ligado... (3)


Com a devida vénia, reproduz-se um post de Henrique Silveira no Crítico:

«A nova administradora para a área cultural do CCB


Guta Moura Guedes
(Foto Máxima)

Ver
artigo de Guta Moura Guedes sobre o nosso país. »

 

Contra a Corrente?!


Tenho por costume ler o que MacGuffin escreve, muito embora não o tenha entre os «muito cá de casa» nem sequer entre os «cá de casa». É, em regra, previsível, e talvez até pouco elaborado para o que sugere ter digerido, mas também não se pode ter tudo à borla. No entanto surpreendeu-me hoje. Num «diálogo» com o Barnabé sobre a veracidade das declarações de Marcelo na audição levada a efeito pela AACS, o MacGuffin ficou fora de pé (mesmo em Évora). Argumenta ele:

'"Antes de mais", porque não "Marcelo Rebelo de Sousa mentiu no Parlamento"? Ah, já sei: Paes do Amaral é o homem do «capital», dos «negócios» e dos «interesses». Logo o mentiroso. Logo o homem das «diligências». «Muitíssimo grave»'

A razão é outra, caro MacGuffin, e, afinal, bem mais prosaica: Marcelo não mentiu no parlamento porque a «Maioria» não aceita que ele seja inquirido no local próprio, a Assembleia da República. Não há pior cego do que aquele que...

 

A luta pela igualdade de direitos


Ch. Chusseau-Flaviens, Angleterre suffragette
(cerca de 1900-1919)

 

Os Buttiglione de cá


O caso Buttiglione tem suscitado os mais variados comentários. Chamaram-me em especial a atenção dois: o de PAS, com quem estou muitas vezes de acordo (salvo quanto aos Franz Ferdinand…), que considera que Buttiglione «se limitou a transferir para Bruxelas a patetice típica da política italiana»; e o de Rui Curado Silva, no Klepsýdra, que apresenta uma perspectiva interessante, mas talvez trace um esboço da «direita do sul da Europa» que, ao nível dos «costumes», não corresponda à realidade.

Parece-me que o caso Buttiglione não pode ser compreendido sem ter em conta que o candidato a comissário europeu é um membro influente de um movimento fundamentalista denominado «Comunhão e Libertação», que se encontra implantado em 67 países, entre os quais Portugal.

O padre João Seabra, irmão da ministra Maria do Carmo Seabra, é, em Portugal, o mentor da «Comunhão e Libertação». Convido os leitores a lerem um postOs subterrâneos da escravidão») do Pula Pula (Série I), editado em Agosto, sobre este movimento. Lá se fala do aborto, da necessidade de civilizar, entendida como sinónimo de cristianizar, a África, a Ásia, as Américas e o Islão, das ligações de muitos membros da «Comunhão e Libertação» a actividades que caíram na alçada da «Operação Mãos Limpas», das posições radicais do Padre João Seabra, etc..

Os Buttiglione andem aí.

 

Aniversário(s)


Deixei passar, sem uma alusão, o aniversário do excelente
Quartzo, Feldspato & Mica, um dos meus blogs preferidos, e por pouco acontecia o mesmo com o Rua da Judiaria, outro dos blogs que procuro ler todos os dias, que fez ontem um ano. Para quem tem tantas reservas ao que se passa no Próximo Oriente, os parabéns ao Nuno Guerreiro, que não tenho o prazer de conhecer, valem por dois! E não é uma cabala.

quarta-feira, outubro 27

 

Isto anda tudo ligado... (2)


«Paes do Amaral Diz Que Só Se Sentiu Pressionado por Cavaco», titula o Público. O conde de Anadia explica o que então se passou: «No início da década de 90, durante mais de um ano, inspectores da Direcção Geral de Contribuições e Impostos estiveram instalados nas minhas empresas pessoais e na SOCI - que detém "O Independente" - no que pressupus uma tentativa clara de condicionar a linha editorial do jornal». Paes do Amaral, se quer efectivamente recordar o passado com rigor, deveria ter acrescentado que se viu forçado nessa altura a contratar um advogado, o Dr. Henrique Chaves, hoje ministro-adjunto do primeiro-ministro.

 

Levar a encomenda a Ferreira Alves


Clara Ferreira Alves, directora da Casa Fernando Pessoa, cargo para que foi nomeada por Santana Lopes, explica por que «interrompeu» as negociações com Luís Delgado e Mário Bettencourt Resendes: «começaram a circular boatos nos jornais sobre putativos convites e outros, mais graves, sobre a minha reputação profissional, lendo neste convite feito entre jornalistas, uma comissão política e uma encomenda do primeiro-ministro

Mais tarde ou mais cedo, haveria de aparecer alguém que, olhando para Luís Delgado e Mário Bettencourt Resendes (ajudante do comissário de Santana na Lusomundo), os consideraria jornalistas. Foi agora. Foi a Clara Ferreira Alves.

 

Células estaminais

.
Um leitor do Abrupto denuncia o apoio que o país deu na ONU a uma proposta da Costa Rica «que pretende impedir todo o tipo de investigação em células estaminais». Antes de reproduzir a totalidade do importante post do Abrupto, duas breves notas:

· Uma para chamar a atenção para os países que acompanharam Portugal nesta lamentável iniciativa;
· Uma outra para destacar o silêncio da Oposição face a esta tomada de posição do Governo, quer quanto à substância da proposta, quer quanto a ausência de discussão interna sobre uma matéria tão relevante.

Eis o
post ontem publicado no Abrupto:

O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: INVESTIGAÇÃO EM CÉLULAS ESTAMINAIS E DEMAGOGIA INTERNACIONAL

"Acabei de ler a proposta apresentada na ONU pela Costa Rica, apoiada por mais 60 países incluindo Portugal e os Estados Unidos. Fiquei surpreendido por descobrir que Portugal sem discussão interna apoia uma proposta que pretende impedir todo o tipo de investigação em células estaminais, e chocado com o ponto 5, em particular, que é de uma demagogia brutal. Escrevo-lhe pois costuma-me a aceitar que esta situação passe ao lado da comunicação social e da discussão politica actual, embora esta situação possa já ser do seu conhecimento

"5. Strongly encourages States and other entities to direct funds that might have been used for human cloning technologies to pressing global issues in developing countries, such as famine, desertification, infant mortality and diseases, including the human immunodeficiency virus/acquired immunodeficiency syndrome (HIV/AIDS)"

"Albania, Angola, Antigua and Barbuda, Australia, Benin, Burundi, Chad, Chile, Costa Rica, Côte d’Ivoire, Democratic Republic of the Congo, Dominican Republic, El Salvador, Equatorial Guinea, Eritrea, Ethiopia, Fiji, Gambia, Grenada, Guinea, Haiti, Honduras, Italy, Kenya, Kyrgyzstan, Lesotho, Liberia, Madagascar, Malawi, Marshall Islands, Micronesia, Nauru, Nicaragua, Nigeria, Palau, Panama, Papua New Guinea, Paraguay, Philippines, *Portugal*, Rwanda, Saint Kitts and Nevis, Saint Lucia, Saint Vincent and the Grenadines, San Marino, Sao Tome and Principe, Sierra Leone, Solomon Islands, Suriname, Tajikistan, Timor-Leste, Tuvalu, Uganda, United Republic of Tanzania, United States of America, Vanuatu and Zambia: draft resolution"

(Paulo Pereira, PhD / Developmental Biology Lab / Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC))

 

Metam-se com a PT, metam-se…


Os blogs estão lentos? O
Tugir dá uma explicação para as constantes anomalias:

«
Não é o Blogger que está em baixo mas sim a NetCabo que, uma vez mais, não consegue resolver o DNS do Blogger e consequentemente dos Blogs lá alojados.Há algum tempo atrás, houve uma polémica sobre a possibilidade de inviabilizar os Blogs. Não estou a dizer que seja isso que está a acontecer, nada de cabalas...»

[Post publicado no
Posto de Escuta, que o foi colher no Adufe.pt]

terça-feira, outubro 26

 

The flag is passing by



Edward Farber, The Flag Is Passing By. Citizens Day Rally, Milwaukee, 1941

 

Que nos dizem as novas taxas de IRS?


Muito se tem escrito sobre a redução das taxas de IRS. Há um aspecto essencial que ainda não vi referido pelos comentadores habituais (incluindo as empresas multinacionais de auditoria que esmiuçaram para vários órgãos de comunicação a proposta de Orçamento do Estado): a indiscriminada (embora diminuta) redução das taxas, que irá beneficiar os contribuintes com rendimentos inferiores a 3000 euro, não teve em conta a necessidade de pôr cobro à fuga e à evasão fiscais levadas a cabo pelos empresários e profissionais liberais que declaram valores irrisórios. O Governo tinha duas hipóteses:

a) Ou reduzia as taxas de IRS de uma forma indiscriminada, como veio a suceder, beneficiando os contribuintes com rendimentos mais baixos, mas também os empresários e profissionais liberais que não declaram uma parte substancial dos seus rendimentos;
b) Ou, tendo em conta a sistemática do imposto, havia a possibilidade de fazer um abatimento que beneficiaria apenas os escalões de rendimentos mais baixos do trabalho dependente (através das deduções específicas), método que permitiria que os empresários e os profissionais liberais não usufruíssem desta redução de taxas.

O Governo, ao pensar na sua clientela, optou por aligeirar a carga fiscal dos empresários e dos profissionais liberais que fogem ao fisco. Quando o ministro Bagão, a bater com a mão no peito, vier prometer um combate feroz à fuga e à evasão fiscais, nós poderemos dizer-lhe: «Eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes que a tua credibilidade foi chão que deu uvas…»

 

Uma questão de ordem prática


Foi um sobressalto: um sem-número de militares da GNR-BT foram subitamente acusados da prática dos crimes de associação criminosa, extorsão, abuso de poder e corrupção activa e passiva. O país assistia, incrédulo, ao desmoronamento de uma das forças da ordem, com os media a transmitirem diariamente novos casos de alegadas práticas criminosas. Afinal, a coisa veio a compor-se: é hoje lida a sentença dos 35 militares da GNR-BT de Albufeira que ainda estão a contas com a Justiça. No centro e norte do país, onde o tecido empresarial seria, à primeira vista, mais propício a estas manobras em contramão, não há problemas. A GNR-BT está salva! E ainda há por aí uns recalcitrantes que insinuam que a Justiça não tem um sentido prático das coisas.

 

Ainda o princípio utilizador-pagador


A mesma coligação que tem sempre na ponta da língua o princípio do utilizar-pagador é a que aprovou uma nova taxa de rádio e televisão, a qual é paga por todos os cidadãos – independentemente da utilização que façam do serviço público de rádio e televisão.

 

«Quem representa o utilizador-pagador


O Luís apresenta uma interessante perspectiva sobre as portagens nas auto-estradas. Valerá a pena, em complemento, ler o artigo de opinião de João Ramos de Almeida no suplemento Economia do Público de ontem (que transcrevo por estar disponível on-line poucos dias):

«Permita-se uma provocação à margem do interesse teórico da questão utilizador-pagador: se a filosofia governamental é a de alargar o conjunto dos serviços públicos em que os seus utilizadores paguem para usufruir deles, quem é que os representa na negociação que determina o seu preço?

Obviamente que quem os representa é o Governo ou em quem for delegada essa função. Os utilizadores estarão "mal representados" já que os novos governantes terão interesses antagónicos aos seus, embora os utilizadores possam reagir quando forem eleitores, de quatro em quatro anos, caso se lembrem nessa altura do que se passou.

O pior é que esses actos têm consequências económicas, reais e importantes, para quem os paga e, consequentemente, para quem cobra.

Um exemplo: o do reestabelecimento de portagens na CREL, em 2002, decidida no mandato de Manuela Ferreira Leite como uma das medidas extraordinárias para cumprir o défice de 2002. O Estado recebeu da Brisa (grupo Mello) - aquela empresa que lucra 50 cêntimos por cada euro de portagens - 288,4 milhões de euros pelo direito de cobrar portagens durante 30 anos.

O Governo nunca justificou devidamente como se encontrou aquele valor. Valente de Oliveira revelou que, desde esse verão, houve "grandes discussões" entre a Brisa, Instituto de Estradas de Portugal, e responsáveis dos ministérios das Finanças e das Obras Públicas em torno dos tráfegos previstos e da taxa de desconto. Sobre a taxa de desconto, não houve divergência: a Brisa queria 8,1 por cento e o Governo - depois de um esforço titânico - reduziu para oito por cento. O valor a entregar pela Brisa ficava em 379,4 milhões de euros, ao qual foram abatidos 91 milhões dos encargos do Estado para alargamentos da autovia.

Neste negócio, a "taxa de desconto" era uma variável essencial. Mas não foi a taxa encontrada muito superior a de qualquer operação de financiamento deste tipo? Estaria o ministro Bagão Félix disposto a pagar essa taxa? Porque não se entregou os estudos explicados? Foi um bom negócio para o Estado ou será que, dentro de anos, depois de auditoria do Tribunal de Contas, se verificará que o Estado pagou muito mais do que deveria - na ordem de muitos milhões de euros - tal como resultou com a Lusoponte e as travessias sobre o Tejo?

A questão é que o utilizador-contribuinte-votante começou já a pagar e dificilmente será ressarcido em caso de ter pago desproporcionalmente ao serviço prestado. Sobretudo se a taxa de IRC continuar a baixar para aumentar a competitividade fiscal do país, neste caso para atrair mais concessionários de auto-estradas...»

segunda-feira, outubro 25

 

Robert Rauschenberg



Rebus, 1955

 

Endividamento das autarquias


As mil e uma maneiras de financiar rotundas, fontanários e o que mais se verá

«Tribunal de Contas critica Orçamento do Estado» é a manchete do Diário Económico de hoje. Lamenta este órgão de soberania que o Governo não tenha «abordado frontalmente» a forma como o leasing e o factoring devem ser encarados para efeitos de endividamento. Já a 25 de Maio deste ano, o tribunal havia feito chegar à Assembleia da República e ao Governo uma recomendação para que, relativamente às autarquias locais, se procedesse «à clarificação e regulação das fontes contratuais de natureza creditícia susceptíveis de integrar o cálculo» do endividamento. Não só não foi regulada esta matéria como se entreabriram outras portas para permitir às autarquias o recurso a novas fontes de financiamento, sob o pretexto de que seria necessário assegurar a comparticipação nacional nos projectos financiados por fundos comunitários. Mas não é tudo: as autarquias aprendem depressa – designadamente com os malabarismos dos dois últimos ministros das Finanças. Enquanto o Tribunal de Contas lamenta que não sejam regulados o leasing e o factoring, os nossos autarcas já estão noutra(s), para preparar o ano eleitoral que se avizinha. É vê-los a promover concessões municipais (das águas aos lixos, dos transportes à energia eólica), a vender as dívidas (tal como Ferreira Leite fez com o Citigroup), a alienar património, a abrir as empresas municipais ao capital privado, a criar scuts municipais e vias com portagens... Há de tudo. Pode-se censurar os autarcas, quando o ministro Bagão anuncia que, para manter o défice em três por cento, vai efectuar um conjunto de operações que agrava a dívida pública (a suportar pelas próximas gerações)?

sexta-feira, outubro 22

 

The great parade



Fernand Léger, The Great Parade (definitive state) /La Grande Parade (état définitif),
1954, óleo sobre tela, 299 x 400 cm., Solomon R. Guggenheim Museum

 

Afinal, as gravuras sabem nadar?


O lobby do nuclear não anda distraído. E de caminho afundam-se as gravuras.

quinta-feira, outubro 21

 

«The Last Ditch»


«Dorothea Lange wrote "The Last Ditch" as an introduction to one section of an exhibit of her life's work. This exhibit was held at the New York City Museum of Modern Art in 1965. What prompted her thoughts, perhaps, was "White Angel Breadline," her first documentary photograph, taken three decades earlier. Images included Politics of the New Deal document the story of these people who, upon reaching the "last ditch," responded by walking through its depths only to climb out on the other side.»



White Angel Breadline, San Francisco, 1933
Oakland Museum Collection

The Last Ditch
[Dorothea Lange]
I am trying here to say something
About the despised, the defeated,
the alienated.
about death and disaster.
About the wounded, the crippled,
the hapless, the rootless,
the dislocated.
About duress and trouble.
About finality
About the last ditch.



 

«Nunca ouvi um primeiro-ministro a dizer a um presidente da República: “Atreva-se lá a mandar-me embora”»


Extractos da entrevista de Vasco Pulido Valente à Sábado de 15 de Outubro (sexta-feira):

E além deste episódio, a que é que se deve esta situação de mal-estar no País?
É muito simples. Toda a gente sente este Governo como ilegítimo. O facto é que desde o professor Cavaco há uma eleição directa para primeiro-ministro. Constitucionalmente, é indirecta, mas toda a gente sabe que nas eleições legislativas o que estamos a eleger é um primeiro-ministro. É uma coisa absolutamente reconhecida. Tanto é assim que a primeira coisa que o eng. Sócrates disse mal foi eleito líder do PS foi que este Governo não era legítimo, porque este senhor não teve votos. Nenhum argumento vale contra isso. É uma ferida de morte no Governo e no poder. E podem vir 300 constitucionalistas dizer que o dr. Sampaio fez muito bem que não impedem que as coisas sejam vistas nestes termos. Ele renunciou ao semipresidencialismo e a todos os poderes activos que tem à sua disposição.
Acha que o primeiro-ministro Pedro Santana Lopes começa já a dar sinais de que sente um certo complexo de inferioridade pelo facto de não ter sido eleito?
De facto, o dr. Pedro Santana Lopes porta-se como uma pessoa que não está segura de si. Exagera, passa a vida a lamentar-se de que toda a gente o persegue e depois desafia o sr. Presidente da República a pô-lo na rua. Isto é inédito.
Lembra-se de algum episódio deste género, de quase ultimato ao Presidente da República?
Não é bem um ultimato, mas a palavra certa nem me atrevo a dizer. Mas nunca ouvi um primeiro-ministro dizer a um Presidente da República: “Atreva-se lá a mandar-me embora.” No fundo, o que ele disse foi: “Demita-me se é capaz! Ou aceita a minha versão de que isto é uma coisa interna da empresa TVI ou, se não aceita, ponha-me na rua.” Nunca nenhum Presidente da República ouviu isto. Conheci muito bem o general Ramalho Eanes e o dr. Mário Soares, e não os imagino a ouvir aquelas declarações e no dia seguinte não mandarem dizer ao dr. Santana Lopes que dispensavam os serviços dele.
O primeiro-ministro cita muito Sá Carneiro. O que é que há de Sá Carneiro na prática política do PSD de hoje?
Nada. Zero. Eu não sei o que é que o dr. Santana Lopes retirou desse período. Do que retirei, isto não tem nada a ver. A AD em que eu estive e que eu vivi não tem a mais remota semelhança com isto.
Está a falar da natureza dos protagonistas ou das políticas?
Estou a falar das duas coisas. E também das intenções dos primeiro-ministros. A natureza não era esta, as intenções não eram estas, o comportamento não era este, e o que nós queríamos fazer em Portugal e o que esperávamos que fossem as consequências do que fizemos não era nada disto.
Então isto tem que ver com quê?
Isso gostava eu de saber. O grosso das pessoas que estão no Governo não tem passado político que inspire confiança. São pessoas que andaram sempre nas franjas da política portuguesa.
(…)
Como é que isto afecta as bases do regime?
Se isto se aceitar como normal – que o Estado faz a sua clientela económica, que há uma aliança entre o Estado e um certo número de grupos económicos –, então sim, pode ser o princípio da corrupção do regime. É claro que, para essas coisas correrem bem, é preciso que não se saiba. É preciso que as pessoas que chegam à opinião pública estejam bem caladinhas.
Só tem impacto quando há um prof. Marcelo pelo meio, não é?
Com certeza. O problema do dr. Marcelo para o Governo é um problema clássico de um regime repressivo. Começamos pelos maiores ou pelos pequeninos? Eles podiam ter começado pouco a pouco, pelas margens e quando o Marcelo desse por ele estava isolado. Resolveram começar pela cabeça.
Se calhar é porque o Governo tem pressa, porque só tem dois anos atá às eleições legislativas de 2006…
Dois anos em política é muito tempo. O Hitler entrou com todas as regras democráticas em funcionamento e levou pouco mais de seis meses a fazer a ditadura absoluta. Mas eu gostava de introduzir uma questão nesta entrevista, que é o estatuto dos comentadores e a questão do contraditório. Porque é que não há contraditório em Portugal? Porque não há jornais politicamente alinhados. Tirando o Público, que é alinhado à esquerda, não há em Portugal jornais de direita, de esquerda, de centro-direita, centro-esquerda. O contraditório é isso: é uma multiplicação dos órgãos de informação, de maneira que nos dêem uma informação global do que se está a passar. Não apenas na opinião, mas também na maneira como se apresentam os factos."

 

O combate na frente da propaganda


Leio diariamente o Portugal dos Pequeninos, um dos múltiplos blogs que surgiram sob a égide de O’Neill. Dá-me a perspectiva – espero não estar a fazer um juízo errado – de alguém que se identifica com o PSD, mas que não se revê no PPD/PSD da malta da discoteca. Acontece no entanto que o último post faz tábua rasa do passado: «Apesar de todas as contradições actuais [nos media], é preciso não esquecer que o "drama" do audiovisual público começou com o PS que, por mais voltas que dê, aparecerá sempre como um interlocutor diminuído, nesta matéria, aos olhos da opinião pública.» Longe de mim defender o Jorge Coelho, mas o cavaquismo não foi um modelo de isenção relativamente à comunicação social. Os telefonemas diários para a redacção do Telejornal ganharam tal fama que Marques Mendes se tornou quase um actor de revista… Todos os governos têm manipulado a informação. O que distingue este governo dos que o precederam é que agora as vozes discordantes são tratadas a pontapé: ou se calam ou são arrancadas à força dos lugares que ocupam. E isto faz toda a diferença.

Em tempo: quanto a Arons de Carvalho, estamos de acordo.

 

«a política é um capítulo da moral»


A 21 de Setembro do longínquo ano de 2002, Clara Ferreira Alves publicou no Expresso um texto intitulado «A superioridade», no qual analisava o percurso político de Paulo Portas, dando um especial relevo às suas relações com a família Braga Gonçalves da Universidade Moderna. Não o poupava:

"O destino grandioso de Paulo Portas devia tê-lo avisado contra as más companhias. Eu não aceitaria do Júlio Braga Gonçalves, o pai, uma esferográfica emprestada. O homem tresanda a sinistro e mitomania, a falência de carácter, e o dinheiro dos Braga Gonçalves e da Moderna tresandava a má vida e corrupção. (…) Eu nunca esperei ver Paulo Portas ser comprado pelos novos ricos, e nunca acreditei que estes novos ricos em particular, criminosos de patilha, pudessem passar cheques de milhares de contos a Paulo Portas. E ele os pudesse aceitar. Achava que não o faria por duas razões: porque era inteligente e porque era limpo. Porque não estava à venda, e Portugal precisa de políticos que não estejam à venda. Paulo Portas pode argumentar que tudo foi uma operação legítima e legal, mas a política, como disse uma vez Sophia de Mello Breyner e Portas concordaria, «a política é um capítulo da moral»."

A mulher que escreveu isto, há dois anos, parece que acaba de aceitar integrar a máquina de propaganda da dupla Santana/Portas, ficando na directa dependência de outro político impoluto: Luís Delgado. A política já não é um capítulo da moral; é um serviço de infecciologia: afinal, Santana não tem lepra, disse ela.

Eis o artigo completo da «pluma caprichosa»:

"Paulo Portas fez a sua carreira jornalística dizendo coisas desagradáveis para muita gente num estilo descontente. Se não lhe admirava o estilo nem a pose, e não admiro o seu patriotismo bairrista, coexistiam nela uma mistura de puritanismo e ingenuidade que, aliados à sua energia e inteligência, faziam dele às vezes um excelente director de jornal e outras vezes um excelente político. Não existem em Portugal muitos políticos interessantes com a idade dele nem muitos políticos jovens que escapem à estreiteza das figuras burlescas, todos alvoroçados em muita ambição e escasso talento, fazendo a carreira pela linha da sombra. Como director de «O Independente», Paulo Portas foi incómodo e até quixotesco. Foi, também, desnecessariamente cruel na argumentação, quando bastava ter sido violento e persistente. Nunca compreendi muito bem o seu ódio ao cavaquismo, como nunca compreendi o seu incenso dessa figura e baça que dá pelo nome de Manuel Monteiro. Sempre achei que, ao lado de Portas, Monteiro não existia, e que só ele, com a sua capacidade de construir uma realidade negando outra, insistia em ver naquilo um chefe da direita portuguesa. Paulo Portas, se leu os gregos, sabe o significado de duas palavras: hubris e nemesis. As duas palavras que agora explicam a sua queda e que ele esqueceu durante a sua ascensão. Portas carrega nele qualquer coisa de trágico. Não excessivamente trágico, apenas portuguesmente trágico, uma pequena morte por pequenas coisas.
Como jornalista, Portas matou o que tinha criado, «O Independente». Sem ele, e sem a sua energia maníaca e a sua determinação conservadora, o jornal apagou-se e perdeu clientes. Muitos jornalistas perderam o emprego, outros afastaram-se e Portas prosseguiu no caminho que tinha sido o de Monteiro, a sua criatura: chefiar a direita portuguesa, não a de Freitas do Amaral, uma direita portuguesa mistura de tradição e populismo, de feira com chá das cinco. Enquanto ia lendo o «Spectator» e vestindo camisas «Thomas Pink», Portas ia trincando umas bifanas e enfiando uns chapéus. Fê-lo com certa graciosidade e coragem e, continuo a achar, com honestidade. Paulo Portas é, de facto, um político de direita e foi, na sua geração, o político mais brilhante. Digo foi e não digo é porque, depois deste caso da Moderna e da sua trama, Paulo Portas não voltará a ser o que foi. E não sei muito bem o que é. Não consigo compreender que um homem inteligente cometa erros tão estúpidos. Paulo Portas, que admirava Sá Carneiro e Helena Roseta e outros cavaleiros andantes da política, entrou nela de mãos limpas e coração livre. Quando tratou dos políticos, continuou a usar como exemplo e lugar de intransigência absoluta a limpeza dos modos e dos tratos e contratos. Quando fez juízos de intenções nos seus editoriais, fê-los tomando como altivo exemplo a sua própria invulnerabilidade e incorruptibilidade. Portas não ignorava nem ignora que só a esquerda é pecadora e tentada a perdoar pecados e pecadilhos alheios. Sim, a esquerda «alinha» com os drogados, os casais homossexuais, os sem-abrigo, os unidos de facto, as mulheres que abortam, os divorciados, os alcoólicos, os sem-família, os maltrapilhos, os cantores de intervenção, os pobres do terceiro mundo, os miseráveis do quarto mundo. E todos os que não se lavam nem se penteiam e não trabalham. A esquerda é pacifista, ecologista, antiglobalista, anticapitalista, anti-americana, pró-palestiniana, antipatriótica. O facto de ser assim permite à esquerda cometer erros e ser desgraçada à vontade porque, na visão que certa direita engomada tem da esquerda, a esquerda não pensa e não passa de uma sem-vergonha. Uma espécie de mulher perdida, uma prostituta bíblica à espera de ser resgatada pelo dedo do filho de Deus, mais sensível que o Pai às mulheres. Será. Mas até uma pessoa de esquerda é capaz, na sua infinita tolerância pela natureza humana, e no seu infinito sentido da sobrevivência, de olhar para a cara dos Braga Gonçalves, da família completa, e perceber aquilo que, na nossa infância, costumava designar-se por «más companhias». O destino grandioso de Paulo Portas devia tê-lo avisado contra as más companhias. Eu não aceitaria do Júlio Braga Gonçalves, o pai, uma esferográfica emprestada. O homem tresanda a sinistro e mitomania, a falência de carácter, e o dinheiro dos Braga Gonçalves e da Moderna tresandava a má vida e corrupção. Se Paulo Portas fosse de esquerda ainda se percebia, ia buscar com uma mão o que negava com a outra. A esquerda, no seu oportunismo e na sua preguiça, diria Paulo Portas, seria capaz disto. Mas, a direita? Quem diria? A direita que ama os pescadores e o paupérrimo povo? A direita que estima a imaculada família e o depósito bancário certo? A direita que nos quer orgulhosamente sós? A direita que é pela educação e contra a cultura? A direita que zela pela tradição e abomina a novidade? A direita que estima os valores de classe e despreza os arrivistas? A direita que quer os costumes de espartilho e o hino nas escolas? A direita que quer a moral e a religião obrigatórias? Eu nunca esperei ver Paulo Portas ser comprado pelos novos ricos, e nunca acreditei que estes novos ricos em particular, criminosos de patilha, pudessem passar cheques de milhares de contos a Paulo Portas. E ele os pudesse aceitar. Achava que não o faria por duas razões: porque era inteligente e porque era limpo. Porque não estava à venda, e Portugal precisa de políticos que não estejam à venda. Paulo Portas pode argumentar que tudo foi uma operação legítima e legal, mas a política, como disse uma vez Sophia de Mello Breyner e Portas concordaria, «a política é um capítulo da moral». Tenho muita pena que Paulo Portas não tenha seguido o exemplo do político que mais perseguiu e odiou, e não tenha sido, como ele, modesto e honesto. Para atacar Cavaco Silva assim, era preciso ser moralmente superior a Cavaco Silva. Foi esse o ponto de partida de Portas, a superioridade moral. E foi isso que ele perdeu para sempre.
Nota: Escrevo sete dias antes desta «Pluma» ser publicada. O que acontecerá até lá?"

 

«A cabala involuntária»


Os efeitos do chás com a Maria ao fim da tarde parecem já não perturbá-lo. Vale a pena ler o artigo de EPC no Público: «Gomes da Silva executa uma tarefa de assassino profissional por conta de Santana Lopes. O primeiro-ministro abre os braços, num gesto de comovida inocência, e declara:"Eu?"»

quarta-feira, outubro 20

 

«There is no way like the American Way»



Margaret Bourke-White, At the Time of the Louisville Flood, 1937

 

Meia bola e força


O Dr. Sampaio e largos sectores do PSD defende(ra)m uma posição muito peculiar: é preciso experimentar o santanismo para o poder rejeitar. Santana aceitou ir a jogo nestas condições – e agora trata de lhes trocar as voltas. Perante um Presidente da República a ultimar os preparativos da aposentação e um Tribunal Constitucional que perdeu a sua principal referência, Santana concentra-se no que é relevante para a sua estratégia:

• Montar uma gigantesca máquina de propaganda; e
• Enterrar – vivo, se necessário – o PSD, criando um deserto em seu redor.

Os sucessivos golpes de Morais Sarmento e Gomes da Silva só podem ser uma surpresa para aqueles que subestimem Santana (e o resto da malta da discoteca) ou tenham ilusões acerca dos seus propósitos. É certo que a máquina de propaganda ainda não está oleada: mas amanhã, quando os media estiverem domesticados, como se fará oposição?

A manobra para afastar Manuela Ferreira Leite do congresso é apenas mais um episódio na estratégia de neutralização dos sectores críticos do PSD. Puro orwellismo – o passado não existe.

É fazer chover no molhado insistir com o Presidente da República que Santana não foi a votos e que a sua cooptação nem sequer foi transparente. Ele aceita o que vier daquelas bandas – admite até que Santana se permita tratar tudo a pontapé. Para a frente é que é o caminho…


 

Isto anda tudo ligado…


Manuel das Dores* era o representante do Ministério Público no processo da Universidade Moderna, tendo concluído que Paulo Portas, enquanto gerente, havia delapidado o património da justamente célebre Amostra. Entendeu no entanto que o Ministério Público não podia intervir porque os sócios da «sociedade» não tinham apresentado queixa. Ou seja: o procurador qualificou a situação como passível de ser um crime semipúblico, quando havia a convicção generalizada de que se estava perante um crime público. Os sócios da Amostra eram José Bourbon Ribeiro (chefe de gabinete do Ministro de Estado Paulo Portas e colaborador regular de blogs) e Nuno Gonçalves (então assessor do futuro ministro da Defesa, depois de ter desempenhado idênticas funções com Manuel Monteiro). Quando foi chamado a depor em tribunal, Nuno Gonçalves confessou desconhecer o que se passava na Amostra, tanto que se dedicava à criação de… frangos. O Dr. Portas nomeou-o agora seu adjunto. Embora o Diário da República não especifique as suas funções, vale a pena seguir a carreira deste reforço acidental.

_________
* Actual quadro dos CTT, diz-se que pela mão de um administrador designado pelo PP.

 

«Quem tem medo das avaliações?»


Da blogosfera para o Público: o excelente texto do Luís Aguiar-Conraria sobre a avaliação dos professores foi hoje publicado aqui. Vale sempre a pena relê-lo.

terça-feira, outubro 19

 

Assim se vê a coerência do PP


Como se sabe, o prazo de caducidade do direito à liquidação dos impostos que está em vigor é de quatro anos, o que se afigura razoável. Em 2001 ou 2002, o PP apresentou uma proposta mediante a qual pretendia reduzir o prazo de caducidade para um (1) ano, o que tornaria impossível a liquidação de impostos. O ministro das Finanças do PP vem agora incluir no Orçamento do Estado uma medida que permite que a administração tributária possa, através de inúmeros artifícios, protelar o direito à liquidação pelo prazo que bem entender.

 

Como Bagão vê a administração tributária


O Orçamento do Estado para 2005 é a confissão expressa de que Bagão não acredita na possibilidade de a administração tributária poder ser reformada. Em lugar de procurar torná-la mais eficiente, Bagão resolve aceitar que o statu quo é imutável e prepara-se para impor um conjunto de medidas que faz regredir o sistema fiscal aos tempos do salazarismo:

a) Alarga o ónus da prova, de modo a que caiba ao contribuinte provar que se encontra «nas situações de não sujeição»;
b) Permite o «acesso directo da administração tributária aos elementos abrangidos pelo sigilo bancário», dispensando «a autorização e audição prévias do titular dos elementos abrangidos pelo segredo bancário», ao mesmo tempo que é revisto «o regime jurídico das decisões da administração tributária de derrogação do sigilo, eliminando o efeito suspensivo»;
c) Elenca um vasto número de situações em que se suspende ou interrompe o prazo de caducidade e de prescrição.

Estas medidas não serão um incentivo à luta contra a evasão e a fraude fiscais. Serão, pelo contrário, sinais claros para a administração tributária de que a sua ineficiência tem cobertura política.

A cereja em cima do bolo é a constituição de uma polícia fiscal sob a directa batuta do ministro das Finanças. Se não fosse trágico, seria cómico… Bagão a esquadrinhar, juntamente com o seu corpo de elite, as contas dos contribuintes: adeus, sigilo bancário; adeus, sigilo fiscal; adeus, Oposição!

 

«Os tempos vão maus»


Um presidente da República pode mover montanhas para receber uma distinção internacional, metendo até ao bolso o prémio correspondente. Um presidente da República não pode no entanto afirmar, nos termos em que o fez, que guardará para si os cerca de 90 mil euro do prémio que lhe foi entregue pelas mãos do rei de Espanha: «O prémio, desta vez, vai ser para mim. Não vai haver associações de caridade. Os tempos vão maus». O estilo Santana faz escola, sem dúvida.

 

Descubra as diferenças


O Presidente da República na comunicação ao país de 9 de Julho de 2004:

«Nesse sentido, decidi dar oportunidade à actual maioria de formar um novo Governo, pelo que endereçarei o correspondente convite ao Presidente do Partido Social Democrata, agora que, neste quadro, estão esgotadas outras possibilidades. Justifica-se reiterar aqui que tem de ser rigorosamente respeitada a continuidade das políticas essenciais – repito, a Europa, a política externa, a defesa, a justiça, bem como as políticas de consolidação orçamental.

Fique claro que é por estas vias de continuidade e pelo rigor indispensável que passarão os critérios permanentes da minha avaliação das condições de manutenção da estabilidade governamental; e utilizarei a plenitude dos meus poderes constitucionais para assegurar que esses critérios serão respeitados. Sempre terei por inaceitáveis viragens radicais nestas políticas, pois foram elas as sufragadas pelo eleitorado.»

O Presidente da República em entrevista à Antena 1, no passado domingo:

«[O Governo] «não está em diferentes condições do que outros no que respeita à sua apreciação [pelo Presidente]».

 

«Hard nose»


José Manuel Barroso é capa da Newsweek: ele salvou, aos 19 anos, o país do «comunismo» soviético, ele prepara-se agora para salvar a Europa. Os serviços de imprensa da Comissão realizaram um belo trabalho. Não foi divulgado o custo da operação de marketing.

segunda-feira, outubro 18

 

É-bom-é, para o avô e para o bebé


Coligação (Europeias, Açores...): o todo é inferior à soma das partes. Quod erat demonstrandum.

 

Mimmo Rotella



 

Que pena


Vasco Pulido Valente no DN de 17 de Outubro de 2004 (não disponível na net):

"Quando se fala da obsessão deste Governo com o que fazem ou deixam de fazer os media, é costume contrapor à propaganda a «verdadeira» política, ou seja, uma acção por assim dizer «objectiva». Ora isto esconde que para este Governo não há qualquer diferença entre propaganda e política. Mais precisamente, que para este Governo a propaganda é política e só a propaganda é política. Um exemplo veio agora do ministro Bagão Félix, tão católico, tão discreto e tão doce que ninguém se lembraria de o tomar por um agitador populista. Mas, menino de altar ou não, foi ele que produziu o próximo Orçamento do Estado, que vende uma ilusão aos portugueses com grande habilidade demagógica. O OE de Bagão parte do princípio de que em 2005 a economia portuguesa vai crescer 2,4 por cento. Não vai. A «retoma» está comprometida na América e, consequentemente, na «Europa». Enquanto continuar a guerra do Iraque, a que não se vê saída e que já transbordou, em formas muito óbvias, para a Arábia Saudita e o Irão, não se justifica qualquer espécie de optimismo, coisa que, de resto, se começa a reconhecer pelo mundo inteiro. A fé de Bagão, que move montanhas, não tomou nota. Em contrapartida, não esqueceu os «pobrezinhos», que o OE solicitamente «ajuda» com uma insignificante redução de impostos, financiada pelo fim dos «benefícios» fiscais da classe média. A inflação real (e não a estimada) dará cabo da esmola, como dará cabo do aumento dos funcionários públicos. De qualquer maneira, agora a caridade de Bagão brilha. Por isso e pela diminuição do IVA das fraldinhas, que as famílias agradecem. Infelizmente, a hipocrisia precisa sempre de polícia. E Bagão fornece a polícia (um «corpo de elite», evidentemente) e também a inversão do ónus da prova (como se prova uma negativa, sr. ministro?). Enfim, o OE promete pãozinho para a populaça e pau para os ladrões. Quem não gosta? Pena ser mentira."

 

O que interessa


Vasco Pulido Valente no DN de 16 de Outubro de 2004 (não disponível na net):

"O mais notável no debate Santana-Sócrates foi que o jornalismo português aceitou pacatamente que a farsa da Assembleia da República era, na verdade, um debate entre Santana e Sócrates. Sócrates falou oito minutos, Santana falou horas com este e com aquele e, sobretudo, dissertou à sua vontade a pretexto das pseudoperguntas que os deputados da maioria obsequiosamente lhe fizeram. Não sei quem inventou este modelo para as descosidas conversas do primeiro-ministro com o Parlamento, mas devia ser um grande amigo do governo. O debate é forçosamente uma farsa e só serve para exibir a impotência, a servidão e o facciosismo dos partidos. Quinta-feira não se ficou a saber nada sobre as Scut e a lei do arrendamento (assuntos que, de resto, o primeiro-ministro escolheu). Em compensação, houve uma abundância de graçolas (que em S. Bento passam por «ataques») e a repugnante retórica do costume. Claro que a seguir as televisões mostraram os bocadinhos (sem qualquer significado) que supostamente divertem a sua idiótica audiência e os peritos correram a analisar o episódio com uma inexplicável e assombrosa gravidade. Alguns peritos disseram que Santana tinha ganho e outros que Santana e Sócrates tinham empatado. Não se percebeu bem em quê e porquê. Não se percebeu coisa nenhuma, excepto evidentemente que os peritos por razões privadíssimas estavam do lado de Santana ou do lado de Sócrates. A política acabou por se tornar um divertimento exótico para aficionados com tanta relação com a realidade como a «Quinta» da TVI. E, como a «Quinta» da TVI, exige o mesmo género de virtudes: descaramento, frivolidade e uma absoluta falta de bom senso e de bom gosto. As patrulhas partidárias de S. Bento a rir, a protestar, a bater palmas como um teatro de fantoches revelam um país que perdeu todo o respeito por si próprio. E é isso que interessa, não é Sócrates nem Santana."

domingo, outubro 17

 

Mimmo Rotella




 

Da importância do futebol


Leio na Pública que se verificaram, entre os anos de 1996 e 1999, seis suicídios, em média, por cada 100 mil habitantes em Portugal. Em igual período, essa taxa foi apenas de 0.5 no Grande Porto. Acontece que, no referido período, o FC do Porto venceu todos os campeonatos de futebol em disputa. Atenção, urgências dos hospitais de Lisboa: o Benfica acabou de perder o jogo com o Porto. [Não me pronuncio sobre os penalties (e o golo... que não valeu) porque a SporTV fez o favor de ficar avariada cá em casa exactamente quando não estava a transmitir patinagem artística.] Está explicado o motivo por que o Governo, segundo o DN, se deslocou em peso ao jogo desta noite.

 

VPV e a censura no DN


Há muito que os artigos de Vasco Pulido Valente deixaram de estar disponíveis na net, ao contrário do que acontece, por exemplo, com a lengalenga diária do delinquente Luís Delgado, o comissário santanista na Lusomundo. A censura, como se vê, «manifesta-se» de várias formas. Amanhã, segunda-feira, o Pula Pula reproduzirá os artigos de ontem e de hoje.

sábado, outubro 16

 

Red Grooms




sexta-feira, outubro 15

 

Um secretário de Estado em todo o seu esplendor


Consta que Hermínio Loureiro se distinguiu a recolher fundos para o partido no distrito de Aveiro, feito que o alçou ao Governo. Barroso entregou-lhe a secretaria de Estado da Juventude e Desportos. Santana retirou-lhe o pelouro da Juventude – mas Hermínio por lá continua. Apesar do Euro-2004, só em quatro ocasiões o país deu conta de que havia um secretário de Estado. Primeiro, quando Hermínio foi apanhado em Paris a trincar uma perna de frango, num cocktail promovido por José Veiga. Mais tarde, quando decidiu envolver-se numa polémica que dividia as gentes do andebol, que, com a sua preciosa coordenação, terminou como seria de prever: Portugal é o único país do mundo civilizado que tem dois campeonatos distintos, um organizado pela Federação de Andebol, outro pela Liga de Clubes. A terceira vez, quando o mandaram intervir no futebol, impondo um prazo para a redução do número de clubes nos empolados campeonatos profissionais. A medida foi amplamente badalada por Arnault. As «instituições» representadas na Federação de Futebol não se incomodaram por aí além e deliberaram adiar a sua introdução sem passar cavaco ao Governo. O despacho de Hermínio a ordenar a redução do número de clubes, que foi entretanto publicado no Diário da República (Despacho n.º 19628, de 18 de Setembro, 2.ª Série), constitui um monumento à forma como o Estado se relaciona com o lóbi do futebol. Ontem, na Sic Notícias, Hermínio voltou a dar, pela quarta vez, um ar da sua graça: confessou em directo que não irá assistir ao Benfica-Porto, uma vez que não estão reunidas as condições mínimas de segurança. Foi o secretário de Estado dos Desportos quem o disse. Depois foi em paz, como se não fosse nada com ele. E não é, de facto.

 

Roy Lichtenstein



Look Mickey, 1965


 

«Para além disso, eu não sou de direita.»*


Uma sondagem da Universidade Católica (para a RTP e o Público) deu o mote: «Dicotomia esquerda-direita esbate-se em Portugal». Pouca importância deu o Centro de Estudos e Sondagens de Opinião ao facto de uma percentagem elevada dos inquiridos não se rever na simbologia adoptada (20 por cento no que respeita à determinação de «esquerda» e 24 por cento quanto à definição de «direita»). Pacheco Pereira pega na deixa e escreve um folhetim sobre o assunto (cujo primeiro número saiu no Público de ontem): «O retorno em força da dicotomia esquerda/direita no discurso político português, que se está a dar nos últimos anos, introduz mais confusão do que clarificação e é por si próprio uma forma de arcaísmo. É muito provinciano e local, porque este retorno às divisões classificativas simples, tem muito a ver com a nossa história política mais recente e isola-nos dos debates mais interessantes que se passam, por exemplo, nos EUA, no Reino Unido, na Itália, em Espanha, onde estas pertenças dicotómicas já não são centrais na vida pública.» Hoje, no DN, Vasco Pulido Valente distingue o «social» do «político» – a realidade económico-social da sua representação política: «Dizem que já não há Esquerda, nem Direita. Talvez não. Em todo o caso não deixou de haver "os de cima" e "os de baixo"». Por mais "poeira" que haja no ar, a questão que subsiste é saber se o capitalismo pode resolver os problemas que o império soviético não resolveu. Pode, Pacheco Pereira?

______________
* Pacheco Pereira,
Abrupto.

 

O herdeiro


Vasco Pulido Valente no DN de hoje (link não disponível):

"Se durar muito, o desgraçado governo de Santana Lopes pode pouco a pouco reduzir o PSD a um partido marginal, condenado a uma oposição permanente. Esse é o destino que se costuma profetizar ao PP. Mas não há hoje uma clara distinção entre o PP e o PSD, com Portas calado e a sair sem estragos de maior dos sarilhos correntes e Santana aos tombos pela paisagem e concentrar em si todo o odioso de uma política radical e, ainda por cima, inábil. A lei do arrendamento, o fim das Scut, a nova taxa (ou pagamento) hospitalar, a extinção dos benefícios fiscais (mesmo parcial) e o resto que eventualmente se verá tornam o PSD tradicional num partido diferente e atingem uma parte do seu eleitorado. O conluio, bem visível, com «interesses» que nunca se distinguiram pela sua responsabilidade nacional e que sempre foram universalmente detestados não melhora as coisas. Dizem que já não há Esquerda, nem Direita. Talvez não. Em todo o caso não deixou de haver «os de cima» e «os de baixo» e o PSD esta agora manifestamente a favor dos «de cima», por muito que o Santana se esfalfe a fingir que não. E aqui entra Sócrates. Sendo um lugar vazio, nada impede Sócrates de aparecer como o homem da conciliação, tirando ao PSD, ao PP e ao BE o que lhe convier, para cozinhar um «consenso», que satisfaça, ou adormeça, simultaneamente os «grupos de interesse» (que não se importarão de negociar com ele), a «classe média» e a generalidade dos «pequenos», que se consideram esquecidos. Santana deixou o campo livre a Sócrates. Com alguma inteligência e alguma autoridade (e Guterres Presidente), Sócrates levará o PS a ocupar esse campo e não o voltará a deixar. Num país «normal» ou «normalizado», o PSD que Santana criou é prescindível, passa para uma franja inconsequente e folclórica. Quando esta «Coligação» cair, não entra um partido qualquer, entra o único partido que ficou em pé, «um partido único»."

quinta-feira, outubro 14

 

Prevenção Rodoviária Portuguesa


O Portugal-Rússia parecia uma gincana. Os obstáculos estavam imobilizados e só havia que os contornar - não os derrubando.

 

«Gomes da Silva ainda é ministro?»


Artigo de opinião interessante: o de José António Lima, hoje, no Expresso On-line.

 

Jonathan Borofsky


Hole In The Ground Dream


Modern Airplane Dream

 

Reminiscências de 14 de Outubro (2)


Hoje, há 104 anos, Freud publica o livro que serviu de base à psicanálise, A Interpretação dos Sonhos.

"(…) A Interpretação dos Sonhos foi sempre tida por ele como a obra mais importante, acrescentando que «compreensões como esta sucedem apenas a alguém uma vez na vida».

(…) A enorme importância que Freud dá a este livro é plenamente justificada: ela irá constituir toda a estrutura paradigmática do funcionamento mental para a Psicanálise. Ao longo de todo o seu desenrolar, torna-se claro como, para Freud, o sonho é, por excelência, o fenómeno psíquico mais interessante do ponto de vista psicológico, e aquele onde, mais do que em nenhum outro, a actividade do psicanalista se diferencia radicalmente da actividade de qualquer outro psicoterapeuta.

(…) o sonho é uma realização de um desejo. Esta ideia é indissociável de uma outra: o sonho é o guardião do sono. Freud considera fundamentais estas duas funções do sonho, que não são dissociáveis do ponto de vista conceptual: quando o sonho fracassa na sua realização do desejo, fracassa também como guardião do sono. Por exemplo, nos sonhos angustiantes, quando a pessoa acorda com o sonho, há este duplo fracasso da função de sonhar."

[Carlos Amaral Dias, 2000, FREUD PARA ALÉM DE FREUD, Lisboa: Fim de Século, pp. 39-41]

 

Reminiscências de 14 de Outubro (1)


Hoje, há 110 anos, nasceu Edward Estlin Cummings.


Mt. Chocorua, 1938

Humanity i love you
because you would rather black the boots of
success than enquire whose soul dangles from his
watch-chain which would be embarrassing for both

parties and because you
unflinchingly applaud all
songs containing the words country home and
mother when sung at the old howard

Humanity i love you because
when you're hard up you pawn your
intelligence to buy a drink and when
you're flush pride keeps

you from the pawn shop and
because you are continually committing
nuisances but more
especially in your own house

Humanity i love you because you
are perpetually putting the secret of
life in your pants and forgetting
it's there and sitting down

on it
and because you are
forever making poems in the lap
of death Humanity

i hate you

quarta-feira, outubro 13

 

Christo



Wrapped Look Magazine, 1965


 

O fim de Sampaio e o princípio de Pedrito


O país acompanha as peripécias, estando à espera que o Presidente da República desfaça o nó. Por mais infundadas que as expectativas sejam, este súbito alvoroço revela que Sampaio representa ainda uma réstia de esperança para muitos dos que o elegeram, apesar dos disparates que vem cometendo ao longo dos dois mandatos.

É provável que o Dr. Lopes e o resto da malta da discoteca não cumpram a legislatura. Não por Sampaio, que sabe, também ele, cultivar o silêncio [«
Há momentos em que o Presidente da República tem que saber estar calado»], mas pela própria natureza do homem que o Presidente fez primeiro-ministro. Abandonou quase tudo em que se meteu: a secretaria de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, o Parlamento Europeu, o grupo de comunicação que criou, a secretaria de Estado da Cultura, o Sporting, as mulheres, a Universidade Moderna, a Amostra, a Cinha, a Câmara de Lisboa… O mais provável é que o Dr. Lopes, quando concluir que os estragos são irreparáveis, assim uma espécie de túnel do Marquês à escala nacional, se ponha em fuga. Como de costume. Que tal o mês de Junho do próximo ano para o Dr. Lopes lançar a sua candidatura a Belém?

Experimentem reler
O princípio de Pedrito. Está lá tudo – menos o fim de Sampaio, mas esse não era o objecto do texto que o João escreveu há seis anos.

terça-feira, outubro 12

 

James Rosenquist



F-111, 1964–65

Para ver em melhores condições, clique aqui.
 

A palavra aos leitores


A propósito de «Reminiscências de 2 de Outubro», um leitor enviou o seguinte comentário (por e-mail):

"O texto sobre Ramalho Eanes (…) talvez seja demasiado benigno. Por acaso viu um filme chamado Being There, de Hal Ashby (com Peter Sellers e Shirley MacLaine), que ainda há cerca de três semanas passou no Canal Hollywood? Trata-se da história de um jardineiro criado numa quinta, cujo contacto com o mundo exterior se circunscreve ao que vê na TV. Quando o seu benfeitor morre, Chance (Peter Sellers) é adoptado, após algumas peripécias, por uma outra família muito rica, cujo patriarca começa a falar com Chance, a quem chama Chauncey, sem ter a noção de que ele é anormal. Fala com ele a sério e Chance apenas diz coisas elementares, normalmente associadas à sua antiga actividade de jardineiro. A «densidade» dos comentários de Chance abre-lhe as portas da alta sociedade de Washington, havendo quem pense nele como potencial candidato à Casa Branca. O nosso Chance, que dizia coisas igualmente elementares, chegou a Belém."


 

«A Nobre casa de Guedes»


Um blog indispensável. Já está no roteiro do Pula Pula.

 

The show must go on


O dilema: se pára, cai. Teremos, portanto, sempre e cada vez mais, mais do mesmo. Mais e mais pose. Uma caricatura - ou duas, em rigor, se contarmos com a outra criatura saída de um quadro de revista do Maria Vitória - que teima em se superar dia após dia. Uma peça sempre inacabada - sob o alto patrocínio do supremo magistrado da nação, que agora é tratado com o mais profundo desdém.


segunda-feira, outubro 11

 

Mimmo Rotella



 

Abertura da campanha eleitoral


De um lado, está o Governo (mais o Luís Delgado); do outro lado, o país (menos o Luís Delgado e uns tantos grupos económicos sentados à mesa do Orçamento). Tal como as coisas estão, Santana não pode continuar a dissimular por mais tempo a sua estratégia. Portanto, mais logo, o Sr. Primeiro-ministro abrirá oficiosamente a campanha eleitoral – assegurando que tudo será feito na rigorosa observância do limite imposto para o défice. As eleições regionais serviram para testar o modelo a adoptar. A cada dia que passa, a realidade trata de amplificar o disparate, digamos assim, do Dr. Sampaio.

 

A idiossincrasia da malta da discoteca


Os múltiplos desencontros no seio do Governo, com sucessivos comunicados a «corrigir» declarações anteriores, têm gerado uma inexplicável perplexidade. Que só pode resultar de um desconhecimento da forma como actua a malta da discoteca. Por ali não há propriamente hierarquias. Cada um mostra o que sabe. E, se desafiado, reage como pode - ou com o que tem mais à mão.

Gomes da Silva não teve nervos para aguentar a comparação com Marques Mendes. Com essa estocada, Marcelo obrigou-o a sair da toca. É claro que Santana poderia ter matado de uma penada o «caso Marcelo», removendo o ministro – como o fez com o seu chefe de gabinete, mal os negócios da Figueira apareceram vagamente nos jornais. Mas Gomes da Silva é o homem de mão para as manobras – e não esteve pelos ajustes.

A malta da discoteca vai vender cara a pele, como disse Vasco Pulido Valente. Na primeira vez que Santana, à porta de Belém, convoca Sampaio para uma luta de rua, o presidente escapuliu-se para Marrocos – onde debitou teoria geral sobre a situação dos media… na Europa.

A malta da discoteca é mesmo assim… porque o presidente é assim.

 

O último a rir


O silêncio mostra que Marcelo não quis juntar a sua voz ao coro de indignação pelo acto de censura de que ele próprio foi alvo e pelas pressões do Governo na comunicação social. Colocar-se de modo a ser ele a exercer o contraditório pode ser pessoalmente relevante – mas nem sequer lhe garante que seja o último a rir.

domingo, outubro 10

 

Eleições


Vasco Pulido Valente no DN de hoje (link não disponível):

"Por causa de um computador novo, com que ainda não me entendo bem, «caíram» duas linhas (a segunda e a terceira) na minha última coluna. Por sorte, vale a pena transcrever a versão original, que era a seguinte: «A remoção de Marcelo, como se veio a saber, não foi o resultado de um acto de fúria imprevisto e espontâneo. Foi o resultado de uma campanha premeditada e planeada no gabinete de Santana Lopes.» Desta premissa se retirava a conclusão final de que só um governo ilegítimo e adventício se atreveria a usar o Estado para esse miserável ajuste de contas. Muito a propósito, os jornais confirmaram ontem que desde o princípio Santana tencionava «equilibrar» os media à sua maneira e em seu proveito. A intenção, como se compreenderá, revela por si mesma uma inquietante disponibilidade para usar métodos de legalidade, pelo menos, duvidosa. De que métodos se trata ninguém ignora. Felizmente – e por uma vez – não houve um comentador que não acusasse o poder politico de pressionar abertamente o poder económico. O que espanta é que a enormidade deste exercício de corrupção, que se presume inegável e corrente, não seja investigada e punida. Numa democracia normal, pessoas responsáveis por proezas parecidas não estão nos ministérios. Na América, por exemplo, estão com frequência na cadeia. Aqui, o Presidente suspira, o Parlamento faz que faz mas não faz e a polícia dorme. Daqui a umas semanas, com o «caso» Marcelo esquecido e enterrado, recomeça certamente a limpeza que Santana quer, perante a indiferença geral. Em Portugal acaba sempre tudo em farsa. Depois de umas cenas de sentimento, o país volta com gosto à sua querida chafurdice. Existe, é claro, uma solução simples para pôr a casa em ordem: demitir o governo e convocar eleições. Mas quem pensa seriamente nisso?"

sábado, outubro 9

 

Robert Motherwell (1915-1991)




Elegy to the Spanish Republic, No. 57 (1957-1960)

«a poem or song of lament or praise for the dead» [Webster’s New World College Dictionary (2001)]

 

Reminiscências de 9 de Outubro


Hoje, há 37 anos, é assassinado Che Guevara na Bolívia. A realidade pôs em evidência a impossibilidade de, contrariamente aos capitais ou à tecnologia, se exportar a revolução: «criar um, dois, três, muitos Vietnames». Che, que apelou à «emulação socialista», na esteira da conduta de Stakhanov, o «operário-modelo», não conseguiu, também ele, dar resposta ao problema (nuclear) da apropriação e gestão do excedente produzido pelo «homem novo». Fica o exemplo de generosidade.

 

Um governo


Vasco Pulido Valente no DN de hoje (link não disponível):

"(...) Tudo isto cheira a ajuste de contas, na tradição de um mundo que me abstenho de qualificar. E aqui se põe uma pergunta inevitável: que espécie de gente não hesita em usar o Estado para esta desgraçada operação? Só há uma resposta: uma facção adventícia e aventureira, a quem o poder caiu do céu e que não esquece, não consegue esquecer, a sua ilegitimidade original. Apoiado por milhões de votos talvez nem Santana se portasse assim. Mas, como não tem os votos, vê um inimigo mortal a cada canto e um perigo a cada esquina; e oscila desordenadamente entre a arrogância e o lamento. As declarações de quinta-feira, à saída de Belém, são de melodrama típico. Primeiro, o lamento: os «críticos» dizem o que dizem, porque, pobre dele, não queriam a sua «indigitação». A seguir, a arrogância, quase de mão na anca: o Presidente da República que se atreva, que o despeça, que «dissolva», e se não que se aguente. Esta não é a voz de uma autoridade constitucional, segura do seu estatuto e do seu direito, é a voz de uma força precária, de uma força de acaso que duvida de si. Não se deve esperar dela lógica ou moderação. Metida num beco sem saída, só pensa verdadeiramente em vender cara a pele. O resto não lhe interessa."

sexta-feira, outubro 8

 

George Segal (1924-2000)



Depression Bread Line, 1999

 

«O capital financeiro conspira assim»


O Jumento e o Semanário Económico referiram-se ao assunto, mas vale a pena retomá-lo. A 16 de Julho, exactamente na véspera da tomada de posse do novo governo, o anterior secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Vasco Valdez, exarou um despacho (o n.º 1675/2004-XV) no qual estabelece que, nos casos de transferência de imóveis objecto de contrato de locação financeira imobiliária efectuada por força de uma operação de reestruturação e concentração empresarial, não é obrigatório proceder à reavaliação dos prédios. Esta medida terá um impacte assinalável na receita do imposto municipal sobre imóveis que reverte para as autarquias.

Ora a reforma dos impostos sobre o património obriga a que os prédios urbanos já inscritos na matriz sejam reavaliados quando se verificar a primeira transmissão após a entrada em vigor do novo regime de tributação. É a forma encontrada para actualizar o valor matricial dos prédios. Acontece que Vasco Valdez, por sua conta e risco, viola a lei ao fixar o seguinte: «Os prédios urbanos transferidos para a sociedade incorporante em resultado da fusão por incorporação, só deverão ser avaliados nos termos de Código do Imposto Municipal sobre Imóveis, por força do disposto no n.º1 do artigo 15º do citado Decreto-Lei, quando os locatários exercerem o direito de opção de compra, nos termos dos respectivos contratos de locação.»

O que está em causa? Em primeiro lugar, tratando-se de benefícios fiscais, estamos face a matéria de reserva de lei da Assembleia da República. A Constituição não autoriza que o Governo – sem mais, e muito menos por via administrativa – possa alterar a lei, sobretudo se a contrariar, como é o caso. Em segundo lugar, admitindo-se que, para não subverter a neutralidade fiscal, se justifique isentar as situações em causa, então por que o secretário de Estado contempla apenas as locadoras, ou seja, as instituições financeiras de que estas são parte integrante?

Mais uma vez o procurador-geral da República, que deveria zelar pelo rigoroso cumprimento do princípio da legalidade, assobia para o lado. E o estimável Bagão, que quer suprimir os benefícios fiscais em sede de IRS, ignora estes atropelos que favorecem a banca.

 

Marcelo


Vasco Pulido Valente no DN de hoje (link não disponível):

"Vinte e quatro horas depois de o ministro Rui Gomes da Silva ter acusado Marcelo Rebelo de Sousa de «mentir» na TVI e «destilar ódio ao primeiro-ministro», «com desfaçatez e sem qualquer vergonha», Marcelo Rebelo de Sousa foi forçado a sair, declarando, por implicação, que já não o deixavam «livremente» falar. O Governo removeu assim o seu crítico de maior influência, coisa que em mais de quatro anos nenhum outro sequer pensou fazer ou, se pensou, não se atreveu. Isto é o princípio de uma história, não é o fim de uma história. Na própria TVI, falta ainda Miguel Sousa Tavares (que suponho, e espero, marchará para casa pelo seu próprio pé) e, na SIC, Pacheco Pereira (embora não imagine Balsemão no papel de censor). Fora que, na imprensa, existe ainda muita gente de quem o Poder não gosta e tem maneira de calar. Desde que se estabeleceu a democracia em Portugal nunca se passou um caso destes. Considerar que se trata de um incidente isolado, da situação especial de Marcelo ou de uma querela entre ele e a TVI seria um erro grave. Há um propósito assente (e bem visível) de usar o Estado, directa ou indirectamente, para reduzir ao mínimo a oposição pública e aberta: na televisão, na rádio e nos jornais. Certas manobras, grandes manobras, precisam de não se ver com muita clareza; e a impopularidade desta Direita radical e fanática não se deve tornar incontrolável, principalmente tão perto das eleições. Marcelo é um aviso: se o liquidarem a ele, ninguém está seguro. Resta agora saber o que se vai seguir. Se o Presidente da República assiste ao episódio imóvel e tranquilo; se a oposição do senhor Sócrates se limite a uma berrata sem consequência; e se os «comentadores» se ficam por um «comentário» enrolado e nulo. A demissão de Marcelo ou serve para pôr um limite à interferência do Governo nos media; ou inaugura a corrupção final do regime."

[Sublinhados da responsabilidade do Pula Pula]

quinta-feira, outubro 7

 

Keith Haring (1958-1990): See No Evil


«It’s about understanding not only the work, but the world we live in and the times we live in and being a kind of mirror on that. I think it happens really naturally and inevitably if you are honest with yourself and your times.» [Keith Haring, 1987]

 

Que é feito dos senadores da República?


Se outra razão não houvesse, o silêncio dos «velhos» senadores sobre a situação política actual põe em relevo a inutilidade do senado que o PSD queria criar. Mas talvez se justifique esquadrinhar as sinecuras distribuídas nos últimos meses para perceber este silêncio dos cemitérios.

 

Entradas e saídas no «defeso»


Quer-se uma informação escorreita. Miguel Sousa Tavares é o senhor que se segue, por isso. A própria Moura Guedes tem a porta aberta: a sua irreverência formal também não cabe numa informação que se quer moderna. Fizeram entender ao conde de Anadia que a situação não está para brincadeiras: os canais da TV Cabo, a televisão digital terrestre e a urgente aquisição dos cinco por cento da CGD no capital da Media Capital não caem do céu. Ponham os olhos no Mário Bettencourt Resendes, que soube assimilar a mensagem que a Clara Ferreira Alves anda por aí a espalhar: «Santana Lopes não tem lepra.» Está assinado o tratado de Tordesilhas na Lusomundo: o PP entretém-se com o JN (incumbindo António Ribeiro Ferreira, o carrasco do costume, de afastar António José Teixeira) enquanto o PPD-PSD brinca com o DN (através de Clara Ferreira Alves, por exemplo).
JPP já antecipara em Agosto a espuma dos dias: «É só contar os dias até ver que intelectual (ou artista) da esquerda vai aceitar colaborar com o governo (melhor, com o seu Primeiro-Ministro), calando um sector crítico e suscitando elogios pela escolha.» O Paulo Gorjão tem expectativas exageradas em relação à SIC: «Paes do Amaral é um empresário com interesses na comunicação social e não só. O que ele fez foi tentar controlar os danos. Infelizmente, ao contrário de Francisco Pinto Balsemão, que já perdeu muito dinheiro não cedendo a pressões diversas, em especial de poderosos anunciantes, Paes do Amaral mostrou ser um homem pequenino.» Pequenino ou não, os negócios do «audiovisual» valem muito milhões. O Dr. Balsemão, ao não querer ser apeado da mesa do Orçamento, deu garantias ao Governo de que não contrataria Marcelo. O Dr. Sampaio, como sempre, está atento. Ou seja, não tem atenuantes.

Em tempo - O Eng. Belmiro de Azevedo tem o péssimo hábito de dirimir os conflitos com o Estado nos tribunais. Entregasse ele o
Público... e seria tudo tão mais simples.
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* Jim Nutt

 

Reminiscências de 7 de Outubro


Hoje, há 36 anos, Salazar piorou e melhorou novamente.

 

O mundo a seus pés (por 8.9 €)


Hoje, com o Público.

quarta-feira, outubro 6

 

Reminiscências de 6 de Outubro


Hoje, há 13 anos, Cavaco Silva alcança a sua segunda maioria absoluta: obtém 50.6 por cento dos votos, deixando o PS de Sampaio a grande distância (com 29.13 por cento). Guterres tem um chilique em directo: «'tou em estado de choque!» Sampaio demite-se de secretário-geral. Cavaco Silva tem o país real a seus pés e uma oposição que não atrapalha. Um «oásis», como viria a qualificar a situação Braga de Macedo. Saber-se-á mais tarde que o legado de Cavaco não agrada a gregos nem a troianos: a saúde, a educação, a justiça, a segurança social e o sistema fiscal continuam adiados. A História registará que Cavaco Silva, que se proclama um seguidor de Bernstein (como Sócrates), cortou na ponte do Carnaval mas não tocou no Estado-Providência. Um dia, alguém será tentado a distribuir pontes para desmantelar o Estado-Providência. Esse dia pode ter chegado 13 anos depois - perante a passividade do ex-líder da esquerda do PS, um tal Dr. Sampaio.

 

O presidente da malta da discoteca


Bagão Sampaio recebeu em audiência Santana porque este ameaçara abandonar a política, na sequência de uma piada sobre si num programa de João Baião. Sampaio entregou a condução do país à malta das discotecas. Sampaio aproveitou o 5 de Outubro para fazer um conjunto de críticas pela direita à gestão dos negócios públicos. Sampaio mantém-se quedo e mudo, cheio de pena de si próprio, quando o que começa a estar em causa é a liberdade e a democracia. O presidente da República é que se deveria demitir.

 

A longa noite santanista


Ambos são militantes do PSD. O PPD retirou a um a presidência do Grupo Lusomundo para a oferecer a Luís Delgado; ao outro incumbiu o cunhado de o silenciar, recordando-lhe que os negócios do «audio-visual» valem muitos milhões. Para começo de conversa, a TVI tem dois canais pendentes de homologação na TV Cabo. Como poderiam os laços familiares (ou outros) resistir a isso?


 

E a Madeira aqui tão perto


«As críticas do tal Gomes da Silva a Marcelo não são isoladas. Há já algum tempo que o Governo desencadeou uma operação de controlo de uma parte do espaço mediático, território decisivo para as batalhas eleitorais que se avizinham, procurando concretizar uma velha estratégia de alguns dos "jovens turcos" que mandam no partido e que vem dos tempos da ascensão de Durão Barroso. Essa estratégia passa por controlar editorialmente um diário nacional de grande expansão, a televisão pública e os restantes órgãos de comunicação estatizados ou que se encontram debaixo do chapéu de chuva da PT Multimédia, para gerir em vantagem o ciclo político que vai até 2006 e em que o PSD quer ter condições para chegar sozinho à maioria absoluta. Como as medidas de Governo podem não chegar, venha a propaganda.

Mais do que a central de comunicação criada ao nível de uma direcção-geral, o que o Governo quer é uma central de intoxicação e está a trabalhar para isso.

Esta operação de controlo editorial da comunicação social estatizada ou sob influência privilegiada do Estado teve uma espécie de tiro de partida com o saneamento político de Henrique Granadeiro, ex-administrador da PT Multimédia e militante do PSD há muitos anos. Bom gestor e conhecedor do negócio específico da comunicação social, Granadeiro nunca foi conhecido em lado nenhum por interferir nos conteúdos editoriais, o que, nas actuais circunstâncias, é um pecado. Por isso foi literalmente "despachado" ante o silêncio geral de todos quantos, partidos de oposição incluídos, parecem não ter entendido o alcance da mudança.

Mas as novidades podem não ficar por aqui. Resta saber até que ponto vão resistir ao vendaval as estruturas de chefia de alguns títulos manifestamente não alinhados politicamente (e de outros já alinhados mas não o suficiente...) ou se alguns operadores privados, em particular televisões, não serão empurrados para um comportamento dócil, se quiserem fazer negócios, na televisão por cabo ou na rede de televisão digital terrestre. Fica ainda por saber se esta "berlusconização estatal" vai concretizar-se sem escrutínio público, em particular, da Assembleia da República, e se não entra no cardápio das preocupações do Presidente da República. É que, se nada se passar, então é porque chegámos mesmo à Madeira!»

[Eduardo Dâmaso, no Público de hoje]

terça-feira, outubro 5

 

Que faz correr Gomes da Silva? [mesa redonda no Pula Pula]


Participaram na mesa redonda José Pacheco Pereira (JPP), Vasco Pulido Valente (VPV) e Vital Moreira (VM). Eis um extracto da conversa:

Pula PulaComo qualificam o ataque desencadeado pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, contra Marcelo Rebelo de Sousa?
VM - Hilariante...
VPV - A lógica é muito manifestamente aproveitar a fraqueza da oposição e de Sampaio para varrer o campo. Se este Governo conseguir cumprir o caderno de encargos da Direita indígena, mesmo que por azar perca em 2006, terá criado uma situação irreversível e, na prática, deixado a Esquerda (esta que por aí anda pelo menos) sem espaço de manobra. Em vez de perder tempo com as gaffes do primeiro-ministro, seria bom compreender que por detrás da presente confusão está provavelmente uma política de "factos consumados", meditada e dura. Talvez não pelo próprio Santana Lopes, mas com certeza pela gente interessada em se livrar do peso do Estado-Providência e estabelecer uma ordem social que a sirva. Claro que a existência de uma democracia complica o exercício.
VM – [Voltando-se para VPV] Quando o Governo de Santana Lopes não resiste a pedir o silenciamento de MRS, é caso para dizer que já perdeu o tino.
VPV – [Esfregando o cocuruto, como quem diz: «onde vim eu meter-me...»] É preciso conservar uma certa autoridade e, de caminho, não perder a cauda populista que o PP e Santana conseguiram criar. Sucede que também neste capítulo já se começam a tomar precauções. Não por acaso o PSD/Porto e, no DN, um professor anónimo se atiraram simultaneamente a Marcelo Rebelo de Sousa, que se tornou com a sua enorme influência um incómodo sério. E não por acaso, Morais Sarmento se lembrou agora de fazer uma nova lei de imprensa, que ninguém pediu e ninguém lhe agradece. A "revolução" em curso precisa da cumplicidade ou da complacência dos media: da televisão, da rádio e dos jornais. Voluntária ou imposta. Tudo se junta e se junta bem. Julgar esta Direita por alguns sarilhos sem alcance é um erro e, pior do que um erro, um acto de egrégia idiotia.
JPP – [O tino, Vital?!] Trata-se nem mais nem menos do que denunciar algo que numa democracia sempre seria tido como muito grave: um apelo de responsabilidade do Primeiro-ministro, via Ministro dos Assuntos Parlamentares, à utilização do aparelho de Estado para punir um delito de opinião de um comentador político, que fala numa televisão privada, em moldes que só a ambos dizem respeito, à TVI e a Marcelo Rebelo de Sousa. É de liberdade de expressão que se trata, e isso por si só justificaria a demissão do ministro.

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