quinta-feira, setembro 30

 

Os labirintos do Poder


O Público dá conta de que João Paulo Valdez, assessor do Dr. Santana para a área da comunicação, ganha mais do dobro do que aufere o primeiro-ministro. Só falta o Figo, o «pesetero», ser tentado a rescindir o contrato com o Real Madrid e a assinar pelo governo português. A verdade é que, depois das estórias dos vencimentos dos assessores do Dr. Portas e do montante da reforma de Mira Amaral, nada disto é particularmente surpreendente – sobretudo para quem conheça o relatório da auditoria do Tribunal de Contas sobre as remunerações dos gestores públicos, que parece não ter tido consequências.

Mas talvez mais importante seja observar a forma como o Governo e as sociedades com capitais públicos contratam, a seu bel-prazer, os serviços de empresas privadas e, bem assim, verificar as ligações que se estabelecem entre o sector público e o sector privado, promovidas ou impulsionadas por aqueles que têm sempre na ponta da língua a exigência de «menos Estado, melhor Estado». Veja-se o que diz o Público:

«Esta sociedade [João Líbano Monteiro e Associados] presta assessoria de imagem e de comunicação a gestores de empresas privados e públicos. Entre os seus clientes mais emblemáticos, estão a Galp Energia, a PT (entrou com a administração de Murteira Nabo e manteve-se com a actual), a Somague, desde que foi adquirida pelo grupo espanhol Sacyr, ou o Banco Totta, controlado pelo Santander. Em 2003, esteve associada ainda à EDP. Algumas destas empresas ou estão em fase de privatização ou projectam adquirir posições de controlo em áreas estratégicas, como a das águas. A espanhola Somague já revelou ter ambições em controlar este sector estratégico.

João Líbano Monteiro é conhecido por ser um homem de confiança do social-democrata Joaquim Ferreira do Amaral, presidente da comissão executiva (CEO) da Galp, a quem prestou assessoria quando este era ministro das Obras Públicas e durante sua a candidatura falhada à Presidência da República. Está também ligado ao actual ministro das Obras Públicas e ex-presidente executivo da Galp, António Mexia. A sua acção desenvolve-se em duas vertentes: directamente, através da empresa, ou indicando pessoas da sua confiança, que podem trabalhar ou não na JLM.

A João Líbano Monteiro e Associados já estava ligada a Pedro Santana Lopes, através da sua candidatura à Câmara de Lisboa em 2001. Isabel Athaíde Cordeiro, que pertencia à JLM, fez parte do "staff" da campanha autárquica de Lisboa de Santana. O agora primeiro-ministro ainda contou com a colaboração de Miguel Almeida Fernandes, da Unimagem, nos primeiros momentos da campanha, mas depois optou pela JLM. Isabel Athaíde Cordeiro desvinculou-se da JLM e está como assessora de Carmona Rodrigues na Câmara de Lisboa. Antes disto, tinha trabalhado na área da comunicação na Expo 98, tal como João Paulo Velez

quarta-feira, setembro 29

 

Michelangelo Antonioni: 92 anos, hoje


«É então exacto dizer que aquilo que me interessa são os factos e os sentimentos humanos passados pelo filtro da psicologia feminina.» [M. Antonioni]


 

A pulga e o sapo (no feudo do Barão Horta & Costa)


Não se trata de uma fábula de La Fontaine. Conta-se em poucas palavras: a pulga decidiu fazer publicidade ao Pula Pula. Inscreveu o blog em dois ou três sites estrangeiros, que o aceitaram de imediato. Entusiasmada com o feito, a pulga bateu à porta do Sapo. Esperou, esperou, mas lá lhe abriram a porta. Cumpriu escrupulosamente todos os requisitos, após o que o «Directório SAPO» teve a gentileza de enviar um mail, no qual garante que o «pedido de adição de apontador à Base de Dados do SAPO» está registado e já «integrou uma lista de espera». A pulga ficou ainda a saber que, desde que não se trate de um site «Comercial ou com conteúdos Adultos», será enviada «uma mensagem de mail com o relatório da nossa avaliação, assim que o seu pedido for processado», sendo que o «período de processamento depende do número de apontadores em espera e poderá durar, no máximo, até 1 mês a partir da data do pedido

Imagine, caro leitor, o que aconteceria se não tivéssemos a sorte de o Barão Horta & Costa ter introduzido métodos de gestão modernos que fazem do Grupo PT um case-study a nível mundial!

terça-feira, setembro 28

 

O aparelho de Sócrates


Saldanha Sanches sustenta que foram os autarcas que levaram Sócrates ao colo. Esses serão o verdadeiro aparelho do PS – assegurando o financiamento das campanhas eleitorais e o emprego no país real. Mário Crespo, que modera os debates na SIC Notícias, cometeu ontem um deslize: não curou de saber o papel que Saldanha atribui ao telemóvel de Jorge Coelho, por sinal o coordenador das eleições autárquicas.

 

Etelvina não faz serviço cívico?


O que surpreende na história de Celeste Cardona não é a circunstância de ter sido nomeada para a administração da CGD. Outros, igualmente sem quaisquer qualificações que os recomendem, também o têm sido. O que efectivamente surpreende é o facto de a senhora ter sido nomeada sem que no entanto tivesse cumprido serviço cívico n’ O Acidental – a menos que a eficaz gestão do processo Moderna tenha sido, para todos os efeitos legais, equiparada a serviço prestado à comunidade.


segunda-feira, setembro 27

 

A estratégia da Direita


Vasco Pulido Valente no DN de ontem (link não disponível):

«Santana Lopes resolveu avançar em toda a linha na maior desordem, como um general desesperado. De repente e sem interrupção vieram as taxas da saúde (de que espécie ainda ninguém sabe), o pagamento nas Scut, a lei do arrendamento e as demolições por grosso de casas clandestinas. Que isto – e haverá mais – possa provocar um tumulto geral não o parece preocupar. A lógica é muito manifestamente aproveitar a fraqueza da oposição e de Sampaio para varrer o campo. Se este Governo conseguir cumprir o caderno de encargos da Direita indígena, mesmo que por azar perca em 2006, terá criado uma situação irreversível e, na prática, deixado a Esquerda (esta que por aí anda pelo menos) sem espaço de manobra. Em vez de perder tempo com as gaffes do primeiro-ministro, seria bom compreender que por detrás da presente confusão está provavelmente uma política de "factos consumados", meditada e dura. Talvez não pelo próprio Santana Lopes, mas com certeza pela gente interessada em se livrar do peso do Estado-Providência e estabelecer uma ordem social que a sirva. Claro que a existência de uma democracia complica o exercício. É preciso conservar uma certa autoridade e, de caminho, não perder a cauda populista que o PP e Santana conseguiram criar. Sucede que também neste capítulo já se começam a tomar precauções. Não por acaso o PSD/Porto e, no DN, um professor anónimo se atiraram simultaneamente a Marcelo Rebelo de Sousa, que se tornou com a sua enorme influência um incómodo sério. E não por acaso, Morais Sarmento se lembrou agora de fazer uma nova lei de imprensa, que ninguém pediu e ninguém lhe agradece. A "revolução" em curso precisa da cumplicidade ou da complacência dos media: da televisão, da rádio e dos jornais. Voluntária ou imposta. Tudo se junta e se junta bem. Julgar esta Direita por alguns sarilhos sem alcance é um erro e, pior do que um erro, um acto de egrégia idiotia.»

domingo, setembro 26

 

Lempicka com o Público



Retrato de Madame M., 1930

sábado, setembro 25

 

Sócrates


Vasco Pulido Valente no DN de hoje (link não disponível):

«(...) Sócrates pouco se arriscou: o essencial estava, primeiro, em não estragar a sua "imagem" e, a seguir, em não se comprometer com nada. Não se comprometeu com o aborto, com o Iraque, com a justiça ou até com alianças. Chega quimicamente puro e com o "centrão" aberto. É o "guterrismo" ressuscitado e diluído. Pior, porque nascido noutros tempos, existia ainda em Guterres, por hábito e herança, um vestígio de inquietação intelectual. Sócrates não passa de um mecânico hábil, armado com postiço optimismo da época e uma notável indiferença por qualquer questão de substância. É o símbolo de uma vitória: a vitória da cultura política da Direita. Esta eleição do PS será provavelmente a última em que a Esquerda se atreveu a mostrar a cara.»


 

Ainda sob a égide de Alexandre O'Neill


A «Pulga» de Alexandre O’Neill (Feira Cabisbaixa, 1965) foi convertida em imagem por Manuel Resende, o qual autorizou a sua utilização no Pula Pula.


 

A terceira via


Eu estava a gostar cada vez menos do Pula Pula. Admiti fechar as portas. Optei por continuar. No entanto decidi mudar de casa, uma vez que, segundo me informaram, alguns programas bloqueiam o acesso a blogs em que o endereço contenha caracteres como o underscore. É preciso que algo mude para que tudo continue na mesma. O Pula continua - agora, aqui. O que lá vai, lá vai.

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