terça-feira, abril 5

 


The Byrds, We'll Meet Again [Mr. Tambourine Man (1965)]
 

We'll Meet Again


«We'll meet again, don't know where, don't know when
But I know we'll meet again some sunny day
Keep smiling through just like you always do
'Til the blue skies make the dark clouds fade away»

 

Roy Lichtenstein



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O' Neill no Pula Pula - post n.º 5


«Letreiro encontrado ao lado duma bota rota e abandonada:
Não a vendo nem a remendo. Dou-a a quem doer

domingo, abril 3

 

João Paulo II


Vasco Pulido Valente no
Público de hoje, Domingo:

A lógica do seu programa era não fazer concessões de essência. Restaurou a autoridade absoluta do Papa, condenou a "teologia da libertação" e não cedeu ao relativismo moral e disciplinar.

«João Paulo II não foi ao mesmo tempo um Papa "progressista" e um Papa conservador, louvável ou condenável por metade. Foi um Papa da "Contra-Reforma" com uma coerência bem visível para quem a queria, ou sabia ver. Herdou uma Igreja conciliar, teologicamente dividida, doutrinalmente insegura, em clara crise na Europa Ocidental, ainda prisioneira na Europa do Leste e vivendo por si e para si no resto do mundo. Desde o princípio que não teve uma dúvida sobre a sua missão: redefinir e repor a unidade teológica e doutrinal, combater o endémico ateísmo do Ocidente, libertar a Igreja de Leste e restabelecer o equilíbrio da Igreja universal com o peso e a presença da África, da Ásia e da América Latina. Nada que, no século XVI, Paulo IV, Pio IV, Pio V ou Inácio de Loyola não pudessem compreender.

Estava na lógica do programa de João Paulo II não fazer concessões de essência. Restaurou a autoridade absoluta do Papa, condenou a "teologia da libertação" e não cedeu ao relativismo moral e disciplinar, que em nome da "modernidade" lhe pediam que, pelo menos, parcialmente aceitasse. Mas, por outro lado, e porque não reduzia (muito pelo contrário) a Igreja ao "Ocidente", tomou também a defesa da paz, dos direitos do homem e até de uma tolerância "civilizacional", que incluía com prudência a religião. Os precedentes não faltavam, de Francisco Vitória aos grandes mestres da Companhia de Jesus. Que certa esquerda o aplaudisse por isto era com certeza, para ele, irrelevante. O relevante era que a fé não usasse, por quase toda a parte, o rosto do inimigo.

João Paulo II percebia a natureza "Propaganda da Fé" e desde o princípio que o mostrou. Seguindo a tradição tridentina, devolveu à devoção popular o culto de Maria (que, às vezes, roçava a Mariolatria), o culto dos santos (criou centenas, um para cada sítio e circunstância) e o Terço (um "terço" do Rosário triunfante da "Contra-Reforma"). Mas principalmente saiu do Vaticano e usou sem hesitação o espectáculo de massa e a sua própria e muito mediática pessoa. Nunca saberemos se o confrangia a espécie de ídolo em que se transformou. É provável que sim. Como provavelmente o confrangia a falta de uma nova Companhia de Jesus, que ele procurou em vão na Opus Dei, capaz de continuar e garantir a sua obra. A Igreja engrandecida que deixou dependia excessivamente dele e é, de facto, frágil.»

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